RECUPERAR VÍCIO TEATRAL NAS ALDEIAS DO NORTE

A Urze - Companhia Profissional de Teatro, é um novo projecto cultural para Trás-os-Montes, amadurecido durante mais de três anos por homens e mulheres das artes de palco, como Glória de Sousa, Fábio Timor, João Paulo Miranda, Paulo Vaz de Carvalho e Levy Lionide - seus sócios fundadores.

11 de junho de 2002 às 21:51
RECUPERAR VÍCIO TEATRAL NAS ALDEIAS DO NORTE
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Para quem não saiba, Urze é o nome de uma planta que cresce nas serras transmontanas, de cor branca ou lilás, da qual se faz, entre outras coisas, mel de excelente qualidade e serviu de mote ao projecto "Pela Urzencia Teatral no Interior".

"A Urze nasceu da necessidade, visível, da falta de projectos credíveis de teatro na região de Trás-os- -Montes, onde existem apenas duas companhias teatrais, para cobrir esta imensidão de território", diz Glória de Sousa, actriz e directora artística da companhia, para quem é preciso recuperar o "vício do teatro” nas aldeias.

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A companhia acaba de celebrar protocolos de residência com os municípios de Vila Pouca de Aguiar e de Sabrosa, onde poderá dispor das instalações de um cine-teatro e de um auditório como espaços de trabalho.

Melhor ainda: a Urze candidatou-se aos subsídios do IPAE no ano de 2001 e, em Dezembro, com enorme júbilo, foi contemplada com apoio estatal para este ano.

Na altura em que se soube da boa nova, porém, já tinha em cena a peça para a infância "No Reino dos Brinquedos", um trabalho com que a Urze tem andado a correr as escolas dos concelhos com que celebrou protocolos de residência.

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E até ao momento, a jovem companhia já mostrou bem o estado de ânimo em que se encontra: este ano, já montou três produções diferentes. A saber: "Todo o mundo é mentiroso e ninguém diz a verdade", de Fábio Timor a partir de textos de Gil Vicente; "Guerra do Tabuleiro de Xadrez", de Manuel António Pina (estreada há apenas uma semana); e um espectáculo de rua intitulado "No reino da Mimolândia", e que ficará disponível para a celebração de momentos especiais.

Neste trabalho, a criatividade dos actores é constantemente posta à prova, pois a interacção com os espectadores é inevitável. O público vê três mimos que, depois de se maquilharem à vista de todos, irão, sem palavras, contar uma bela história de amor, toda feita por gestos.

Mas neste momento, a Urze prepara um outro projecto interessante, em que está a investir muito. Trata-se de "aldeias teatrais" - a realizar durante o verão - e que consiste na apresentação de espectáculos pelas ruas das aldeias. É a forma que o grupo encontrou para comemorar os 500 anos do teatro português.

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O espectáculo é composto por excertos das peças "O Pranto de Maria Parda", o "Testamento dos Tasqueiros" e o Auto da Visitação", de Gil Vicente, e a exemplo do que acontecia há 500 anos, o trabalho dos actores será iluminado por archote e fogo natural, dando um colorido especial à representação.

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