Resistentes do Norte
José Costa estava entusiasmado com a leitura do Correio Êxito. Foi apanhado com a boca aberta de surpresa com o que lia, nunca foi a outro festival mas não tem dúvidas: “O Paredes de Coura é sempre o melhor festival de Verão do País”.
A seu lado, igualmente admirada pelo que decifrava no caderno de música que o CM oferece todos os sábados e aqui à entrada do recinto, Patrícia Barbosa realçava “o ambiente que se vive”, o cartaz e as bebidas estranhas que tomam.
Os dois fazem parte dos Monteiros, grupo de Braga que toca grunge, rock e metal progressivo, pelo menos é o que diziam enquanto continuavam mais interessados no que o Êxito escreve do que nas questões que o repórter colocava.
Bernardo era o que mais salientava a liberdade das prosas, o que melhor parecia aproveitar o período que antecedia a maratona de concertos, prazer e folia que se avizinhava. Lia recostado num enorme puff redondo, com a sombra do chorão a aliviar o tímido poder do sol reflectido sobre as águas plácidas do Taboão. Um peixe saltou ao lado de um jovem que se deixava boiar de olhos fechados em cima de um barco insuflável. Ouvem-se os primeiros sons, agrestes, de uma guitarra.
DOHERTY DE COMBOIO
“Já sabíamos que o nosso festival seria o resistente. Fizemos as coisas com os pés bem assentes na terra. A regra é não gastar mais do que as possibilidades”, afirmou ao CM Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura.
De facto, para fazer um evento desta natureza, com um orçamento de dois milhões de euros, é preciso estar com os pés bem assentes no chão, mesmo que a cabeça vagueie, agitada, com a azáfama que por estes dias, e desde 1993, os quatro cabeças do evento – Jó, Victor, João e Filipe – estão a viver.
Eles, tal como a maioria dos que se encontra por cá, sabem que são os Sonic Youth – ícones da cena alternativa americana e de concertos surpreendentes, em que as experimentações e a fuga a clichés estão sempre presentes – a banda que mais gente trouxe. Afinal, a Paredes de Coura vem-se pela música. Mas também, como dizia a Cláudia, do Porto, parafraseando a Vanessa, para “ver se o Pete Doherty não passa mesmo de fogo-fátuo”.
O CM sabe que o vocalista dos Babyshambles chega hoje à Invicta de… comboio. Recusou-se a viajar de avião com a comitiva e, entre escalas e apeadeiros, tem prevista a chegada para esta tarde. Começam a haver dúvidas se chegará a tempo de satisfazer a curiosidade, algo mórbida, dos festivaleiros.
"AQUI NÃO HÁ PÓ, SÓ VERDE" (Óscar Alves, Castelo de Paiva)
“As minhas expectativas [em relação ao festival] passam por dar muitos saltos na relva e muita cerveja no ar. Quanto ao festival, há muitos anos que sou cadastrado. É a sétima edição a que venho. Por aqui não há pó, é só verde, e mesmo que chova faz sempre bom tempo. Como pode ver conservo a pulseira de quase todas as vezes que aqui estive.”
"MELHOR DO QUE OS DE ESPANHA" (Helena Alvarez, Madrid, Espanha)
“É a segunda vez que venho porque este festival é genial, muito melhor do que aqueles que se realizam em Espanha. A organização é melhor, os grupos são muito bons, Sonic Youth é a minha banda preferida. Em Madrid, um festival como este custaria, no mínimo, 200 euros, pelo que poupamos muito para vir aqui, conhecemos sítios e gente nova. Este local é muito bonito”.
"O MELHOR FESTIVAL PELA COERÊNCIA" (Sérgio Felizardo, Fundão)
“Sou director do Imago e temos uma parceria com Coura para trazer até cá um pouco do nosso festival de cinema. Através do ‘Stop Making Sense’, temos a oportunidade de chegar a um público que também é o nosso. Sou cliente do festival de Benicassim, Espanha, e em Portugal, Paredes de Coura é, devido à coerência do cartaz, o melhor festival”.
CARTAZ - PALCO PRINCIPAL
HOJE
Babyshambles (00h30)
M.I.A. (23h00)
Blasted Mechanism (21h30)
Mando Diao (20h10)
Sparta (19h00)
New Young Pony (18h00)
AMANHÃ
Dinossaur Jr. (00h45)
New York Dolls (23h00)
Mão Morta (21h20)
Architecture In Helsinki (20h10)
Gogol Bordello (19h00)
Spoon (18h00)
DIA 15
Sonic Youth (00h45)
Cansei de Ser Sexy (23h00)
Peter, Bjorn & John (21h20)
Sunshine Underground (20h10)
Electrelane (19h00)
Linda Martini (18h00)
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