Retrato do actor enquanto palhaço

É uma noite histórica, a que se anuncia amanhã. Abre um novo espaço de cultura em Lisboa – o Teatro do Bairro, muito perto da calçada do Combro –, estreia-se uma peça inédita de Luísa Costa Gomes e alberga-se um projecto que já leva sete anos de vida mas só agora encontra uma casa: o Ar de Filmes.<br/>

02 de março de 2011 às 00:30
TEATRO, MARGARIDA VILA--NOVA, ADRIANO LUZ, LISBOA, BAIRRO ALTO Foto: Mário Cruz/Lusa
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Para abrir as actividades, António Pires – director artístico e encenador residente do Teatro do Bairro – decidiu estrear, amanhã, às 21h00, ‘Vida de Artista’, uma peça que reflecte sobre o próprio teatro.

"Queria começar com um texto português e que tivesse os actores como protagonistas", explica o encenador, ao que Luísa Costa Gomes acrescenta: "Mas sem glamour".

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A escritora, que trabalhou no texto durante um ano, diz que o processo foi "muito divertido".

"Os actores, cuja existência aparece sempre rodeada de glamour, vivem na realidade sempre com a corda na garganta, a fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo para se tentarem aguentar e sempre a tentar estar na ribalta", conta-nos. "É disso que eu queria falar, mas em registo de comédia", acrescenta.

Em cena, Margarida Vila-Nova, Adriano Luz e Manuela Couto dão corpo a três actores com os problemas que todos os artistas partilham. Entre a rodagem de um filme, a gravação de uma telenovela e mais uma sessão de dobragens, tentam aguentar os casamentos, manter as amizades e criar os filhos.

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O espectáculo, que se desenrola num registo de quotidiano e desmistificação, contém ainda um ingrediente extra. Pelo meio, usa-se um texto do século XVI, de Isabella Andreini. Uma pequena preciosidade do teatro popular. Até dia 26.

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