Roger Michell: “Queria que aquele predador sexual [Roosevelt] tivesse perdão”

<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"><font face="Calibri"></font><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"><font face="Calibri"></font><p align="justify" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt">Roger Michell e Richard Nelson, respectivamente realizador e argumentista de ‘Hyde Park em Hudson’, comentam o filme que tem sido comparado a ‘O Discurso do Rei’.

13 de junho de 2013 às 15:05
Cultura, Cinema, 'Hyde Park em Hudson', Richard Nelson, Roger Michell, Franklin Roosevelt Foto: D.R.
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Correio da Manhã – Pode explicar a vossa forma de colaboração enquanto realizador e argumentista?

Roger Michell (RM) – Colaboramos há cerca de 25 anos, e fizemos várias peças de teatro. Este é o nosso primeiro filme em conjunto.

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- E porquê um filme?

RM – Todas as peças do Richard [Nelson] são sobre as complicações entre os nossos dois países. Este filme é uma exceção. Trata-se de uma relação entre duas pessoas, dois amantes. É esse lado pessoal que me parece fascinante neste trabalho.

- Qual a origem do projeto?

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Richard Nelson (RN) – É algo que me está próximo. Eu vivo na mesma cidade, a norte de Nova Iorque, onde morou a Daisy [amante de Franklin Roosevelt]. Onde foi encontrada a caixa com as cartas que trocou com o presidente, depois de morrer, aos 100 anos, bem como o seu diário, com algumas páginas rasgadas.

- Páginas rasgadas?

RN – Sim. Que nós nos incumbimos de reescrever... Imaginámos o que poderia estar escrito ali... (risos)

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- Recriaram os momentos eróticos vividos entre Daisy e o Presidente?

RN – Sim, o que pensamos que poderia ter acontecido. E, de facto, alguma coisa aconteceu. Essas cartas e o diário acabaram por ser publicados, mas esta a permaneceu no meu caderno de notas deste o início dos anos 90. Só que não sabia como a converter numa peça de teatro. Por volta de 2005, acabei por fazer uma versão para rádio desta história. Entretanto, um produtor sugeriu-me que a fizesse evoluir para um filme.

- Como responde à comparação que tem sido feita ao filme ‘O Discurso do Rei’?

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RM – Já esperava essa pergunta. Mas é injusto, porque começámos a trabalhar neste projeto primeiro. Acaba por funcionar até como uma espécie de prequela. ‘O Discurso do Rei’ é um trailer para o nosso filme. E quando o vimos, percebemos que as nossas personagens não necessitavam de uma maior definição. Como por exemplo, a gaguez do rei Jorge VI, que é o cerne de ‘O Discurso do Rei’. Como se trata de uma época posterior, quando a Inglaterra já estava na Guerra e apenas procurava a ajuda dos Estados Unidos.

- E o que acha do ator que faz de Bertie (Rei Jorge VI), o Sam West? Como que assume que as pessoas já conhecem o Rei um pouco melhor...

RM – Sim, é isso. Acho que faz um trabalho notável.

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- O Bill Murray é também uma escolha extraordinária. Foi uma decisão difícil?

RM – Desde cedo que percebi que iria fazer o filme apenas na condição de ter o Bill Murray como FDR [Franklin D. Roosevelt]. Não conseguia pensar num ator que pudesse ser tão doce, galante e eficaz. Seria sempre insuficiente. Queria que aquele ‘predador sexual’ tivesse perdão. E não que fosse uma espécie de Dominic Strauss Kahn. Esperei um ano para que o Bill concordasse subir a bordo deste barco. E ele é o que se vê no ecrã. Simplesmente fantástico.

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