Samyama – concentração, meditação e hiperconsciência
Samyama é o 8º anga de uma prática ortodoxa de SwáSthya, sendo o anga que a encerra. É neste que se treina e aprendem as técnicas que vão permitir o yôgin alcançar a meta do Yôga: o samádhi. De entre as técnicas utilizadas neste anga, talvez a mais falada seja a meditação, sobre a qual haverá um curso já no próximo dia 1 de Abril, em Lisboa.
Pátañjali afirma na sua obra clássica, o “Yôga Sútra”, que samyama é quando ocorrem dháraná, dhyána e samádhi “ao mesmo tempo”. Isto confundiu os teóricos que pretenderam emitir opiniões sobre o Yôga. Equivocadamente, entenderam que era para praticar as três técnicas mescladas.
Isso é impossível, uma vez que esses três estados de consciência são, cada um, o desdobramento do anterior. A prática de dháraná (concentração), dhyána (meditação) e samádhi pode comparar-se ao percurso de alguém que sobe os degraus de uma escada. Antes de se atingir a meditação tem que se dominar dháraná e, antes disso, pratyáhára.
Pratyáhára, a abstracção dos sentidos, foi tratado nesta coluna há três semanas e concentração é um conceito que não requer qualquer explicação adicional. Todos sabem o que significa concentrar-se, sendo que, no Yôga, a concentração é a plataforma de lançamento para alcançar o estádio seguinte, a meditação ou dhyána.
Meditação já requer algum esclarecimento. Devido a uma tradução incorrecta do termo sânscrito dhyána, o termo ‘meditação’ foi universalizado e, por isso, é agora impossível substituí-lo. Contudo, o melhor é utilizar intuição linear ou supraconsciência, já que, na verdade, ‘meditar’ em Yôga significa exactamente o oposto do que essa palavra traduz.
Os dicionários referem habitualmente que meditar é pensar, reflectir sobre algo. Contudo, a proposta do exercício chamado dhyána é a de parar as ondas mentais, esvaziar a mente de qualquer pensamento, suprimir a instabilidade da consciência.
Assim como durante o dia o sol eclipsa a subtil luminosidade das estrelas e elas não aparecem, da mesma forma cada manifestação mais densa eclipsa as mais subtis. O corpo físico eclipsa o emocional. O emocional eclipsa o mental. E o mental o intuicional, onde se processa a verdadeira meditação.
Por isso, se queremos chegar à meditação precisamos aquietar a mente. Ao aquietá-la, afloramos um outro estado de consciência superior, que estava eclipsado pela mente. Tal estado é chamado supraconsciência, dhyána.
Da mesma forma, como não conseguimos ver o fundo de um lago cuja superfície está turbulenta, uma pessoa não pode alcançar o seu Eu, não pode conhecer o fundo de si mesma, se a sua mente estiver agitada e instável.
Mas, como alcançar a estabilidade da consciência? O processo é simples: só requer disciplina e constância. Tudo se baseia em exercer concentração duas ou mais vezes ao dia, fazendo com que a mente se eduque e deixe de dispersar constantemente. O alimento da mente é a diversificação. Por isso, as pessoas gostam de divertir-se e as coisas novas têm tanto sucesso. Se negar à sua mente essa dispersão compulsiva, ela vai, em primeiro lugar, reagir como uma criança e fazer birra, dificultando muito o exercício. Ao poucos, vai-se disciplinando e conseguindo extrair um prazer muito especial.
Como sabe se já alcançou o estado de meditação ou supraconsciência? É simples: se formula essa dúvida, você não meditou! Mas a recíproca não é verdadeira: se não tiver dúvidas, isso não é garantia alguma.
No próximo dia 1 de Abril, a Universidade Internacional de Yôga, através da Unidade Camões, dá a oportunidade a que qualquer pessoa com curiosidade sobre o tema o possa aprofundar um pouco mais. Os participantes irão aprender técnicas e um pouco mais sobre esta ferramenta do Yôga.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt