Santo André sem festa de teatro por falta de dinheiro
Ao fim de 18 edições, acaba a MITSA, uma iniciativa da associação cultural AJAGATO
Este ano não há Mostra Internacional de Teatro de Santo André (MITSA). A Associação AJAGATO, que organizou a festa durante 18 anos – animando aquela cidade do Município de Santiago do Cacém e municípios adjacentes – diz que não pode dar continuidade ao projeto com tão pouco dinheiro e sem o apoio da Direção-Geral das Artes.
"No ano passado batemos o recorde, com 12 mil euros de défice", diz o diretor da mostra, Mário Primo, explicando que, caso houvesse em Santo André um "bom auditório, com equipa própria", o festival podia continuar. Com um orçamento de 52 mil euros, o evento tem tido o apoio regular da câmara no valor de 5500 euros.
A junta de freguesia contribui, desde 2014, com quatro mil euros. As empresas ajudam: no ano passado, o valor dos patrocínios chegou aos 14 mil euros. Mas não chega. "Temos muita pena, mas já não dá", conclui Mário Primo.
Confrontado com o fim da mostra, o presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, "lamenta" o fim do projeto e garante que o apoiou desde o primeiro momento. O autarca cifra em 17 mil euros o apoio global dado à associação AJAGATO em 2017, mas Mário Primo diz que a verba para a MITSA é "insuficiente".
PORMENORES
Ter ou não ter auditório
Questionado sobre a falta de um auditório em Santo André, o autarca de Santiago do Cacém contrapõe: a câmara inaugurou em 2009 o Auditório Municipal António Chainho – que representou um investimento de mais de um milhão de euros.
Não é próprio para teatro
Mário Primo lembra que em 2005 e em 2009 "foi prometido um auditório municipal para Santo André". Uma promessa nunca cumprida e em que o responsável já deixou de acreditar. "O Auditório António Chainho não é em Santo André e também não é próprio para teatro."
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt