Seguros para forcados só vão até 25 mil euros

Os forcados que morram ou fiquem inválidos no decorrer de um espectáculo tauromáquico têm como única protecção os seguros de acidentes pessoais feitos pelos respectivos grupos. No entanto, como disse ao CM o presidente da Associação Nacional de Grupos de Forcados, José Fernando Potier, o capital máximo é de 25 mil euros, que têm de cobrir as despesas de internamento hospitalar e reabilitação.<br/><br/>

03 de setembro de 2012 às 01:00
tauromaquia, mortes, ferimentos graves, arenas, seguros, forcados Foto: João Dinis/A-gosto.com
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É este o sombrio horizonte de Nuno Carvalho, forcado do Aposento da Moita que vai ficar paralisado devido à compressão de duas vértebras, com esmagamento da medula, após ser projectado para a arena na pega do quinto touro da Corrida TV, realizada nesta quinta-feira no Campo Pequeno.

No entanto, José Potier, que trabalha precisamente no sector dos seguros, admite que a maioria das empresas "não estão muito abertas" a esta cobertura, pois enfrentar touros que pesam mais de meia tonelada acarreta demasiados riscos. "Os outros, que evitam o embate, só se aleijam por azar. Os forcados só não se aleijam por sorte", conclui.

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Além de diversos forcados que ficaram deficientes, Francisco Matias, dos Amadores de Portalegre, morreu em 2009, ao ser colhido durante um treino. Pedro Belacorça, do mesmo grupo, morrera de septicemia, após uma bandarilha espetada num touro se ter cravado no seu peito durante a corrida comemorativa da Expo'98 no Campo Pequeno.

António Gouveia, dos Amadores do Montijo, foi colhido em 1993 em Angra do Heroísmo e acabou por morrer, vítima de traumatismo craniano, fractura de coluna e lesões internas, juntando-se a uma triste lista encabeçada por João Raiva, em 1953, depois de ser atingido por uma bandarilha no Campo Pequeno.

COLEGAS VÃO REAGIR AINDA ESTA SEMANA

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Nuno Carvalho integra o Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita, onde reina a consternação pelo violento acidente que vitimou o colega. O cabo do grupo, Tiago Ribeiro, remete para mais tarde qualquer comentário sobre o assunto. "Estamos a preparar um comunicado, com o médico, que será revelado dentro em breve. Agora queremos preservar a família."

"HÁ UM RISCO IMINENTE", Rui Bento Vasques, Director Campo Pequeno

Correio da Manhã - O que irá fazer o Campo Pequeno para apoiar Nuno Carvalho?

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Rui Bento Vasques - Tudo o que estiver ao nosso alcance para ele ter uma vida o mais confortável possível. Vou empenhar-me para que haja festivais para angariar fundos.

- A gravidade da lesão tornou-se logo evidente?

- O público nem se apercebeu, pois acontecem colhidas muito mais espectaculares.

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- Este caso pode afastar pessoas das praças?

- Pelo contrário, vai valorizar ainda mais a figura do forcado. Há um risco iminente e temos de assumir que é assim.

INICIATIVAS PARA NUNO CARVALHO

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Submetido a uma neurocirurgia ao longo de seis horas na madrugada de sexta-feira, Nuno Carvalho continua internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Sendo certo que a gravidade dos ferimentos implica que fique paralisado, os mais próximos do forcado de 26 anos mantêm a esperança de que recupere movimentos nos membros superiores, em vez de ficar tetraplégico.

Conhecido por ‘Mata' entre os colegas, Nuno Carvalho vive sozinho com o pai e terá agora de contar com a solidariedade de um sector de que se tornou protagonista desde a adolescência. "Temos de assegurar a dignidade do homem e dar-lhe as melhores condições para continuar a viver", disse ao CM José Fernando Potier, da Associação Nacional de Grupos de Forcados.

Realçando que a iniciativa deve pertencer ao Grupo de Forcados do Aposento da Moita, que no sábado actuou na Praça de Touros de Almeirim, José Potier diz que os colegas de Nuno Carvalho "terão de ser o leme" de uma estratégia para ajudar o forcado de 26 anos, cujas lesões deverão ser irreversíveis. A Associação Nacional de Toureiros já garantiu apoio ao que vier a ser decidido.

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