SINTRA DE CARA LAVADA
A recuperação do Palácio de Monserrate, do Chalet da Condessa e dos degradados Parques da Pena e de Monserrate são as prioridades do Plano de Gestão da Área de Paisagem Cultural de Sintra/Património da Humanidade apresentado ontem no Centro Cultural Olga Cadaval.
As intervenções vão ser realizadas progressivamente, estando a primeira já no terreno há um mês, com o recomeço das obras no Palácio de Monserrate, cujo restauro custará, no mínimo, 25 milhões de euros, segundo o presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, que, aliás, comentou os “custos significativos” das obras: “São necessários elevadíssimos milhões de euros para as intervenções, que não serão imediatas, tendo em conta os cortes orçamentais”.
O RURAL E O URBANO
Requalificar o ambiente rural e urbano desde a Serra até à fachada Atlântica, desde a Vila até aos campos saloios, é o objectivo principal do Plano de Gestão, elaborado a pedido da UNESCO e entregue segunda-feira à Comissão Nacional do organismo das Nações Unidas, em Lisboa.
O Plano visa igualmente garantir a continuidade e sustentabilidade do desenvolvimento integral de Sintra, promover a recuperação do património degradado, coordenar o sistema de relações entre as diversas disciplinas e entidades envolvidas na gestão da Vila Velha/Centro Histórico e captar novos sectores e agentes económicos vocacionados para a promoção e conservação do património.
A classificação da paisagem cultural de Sintra como Património da Humanidade “exige uma assumida responsabilidade (política, económica, técnica e cívica) quanto à eficaz e correcta recuperação, preservação, valorização e uso dos vários imóveis, parques e espaços naturais nela integrados”, frisou ainda Fernando Seara.
'VIRAGEM'
Para o comissário do Conselho Académico da Paisagem Cultural de Sintra/Património da Humanidade e director do Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas, José Cardim Ribeiro, o Plano representa “um momento de viragem”, que permitirá “transformar Sintra – um território muito degradado – num motor de desenvolvimento económico e de civilização”.
Cardim Ribeiro sublinhou ainda a extrema importância do restauro do Palácio de Monserrate, interrompido há dois anos, dado o avançado estado de degradação do monumento, construído em meados do século XIX por iniciativa de Francis Cook e no espírito romântico-orientalista.
O Plano de Gestão foi elaborado sob a orientação da paisagista espanhola Carmem Añon e dos arquitectos George Zouain e Léon Krier, especialistas de renome internacional em gestão e restauro, respectivamente, de património cultural.
Reunir 60 pessoas representativas das múltiplas necessidades e interesses da população sintrense e instituições directamente envolvidas nos destinos da ‘Paisagem Cultural’ é o objectivo da primeira reunião do Conselho de Opinião Pública de ‘Sintra-Paisagem Cultural’, que decorre hoje, no Centro Cultural Olga Cadaval.
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