Só fiascos nos filmes nacionais

Ficar muito atrás das grandes produções de Hollywood é um fado antigo do cinema português, mas, até agora, nenhuma produção estreada em 2009 alcançou os cem mil espectadores e o meio milhão de receitas, algo que aconteceu nos últimos anos com ‘Amália – O Filme’ (estreado no fim de 2008), ‘Corrupção’ (2007), ‘O Filme da Treta’ (2006) e ‘O Crime do Padre Amaro’ (2005). Todos vistos por mais de 200 mil pessoas e com ganhos de pelo menos um milhão de euros.

16 de novembro de 2009 às 00:30
Só fiascos nos filmes nacionais
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Já neste ano, das 19 longas-metragens registadas pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) até dia 11 deste mês, apenas quatro foram vistas por mais de dez mil pessoas: ‘Second Life’, com 90 mil espectadores, ‘Contrato’, com 45 mil, ‘A Esperança Está Onde Menos se Espera’, com 39,5 mil, e ‘Star Crossed’, com 12,4 mil bilhetes vendidos.

No entanto, mesmo estes ficaram aquém nas bilheteiras em relação aos custos de produção. Casos de ‘Second Life’, que obteve receitas de 403,8 mil euros, muito abaixo dos 1,5 milhões de orçamento, ou ‘Contrato’, de Nicolau Breyner, que custou 700 mil euros e rendeu nas salas apenas 205,6 mil euros.

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Os dados do ICA, consultados pelo CM, revelam que 74 por cento dos filmes estreados em 2009 renderam menos de 30 mil euros. É o que sucede com, por exemplo, ‘A Corte do Norte’, filme de João Botelho subsidiado em 650 mil euros, com ganhos nas salas de só 12,3 mil euros e visto por 2707 pessoas. No fundo da tabela estão ‘A Zona’, de Sandro Aguilar, visto por 592 pessoas e com 2378 euros de receitas e a animação co-produzida com Espanha ‘De Profundis’, com 282 bilhetes e 1377 euros na bilheteira.

Em matéria de subsídios, o ICA atribuiu só para longas-metragens mais de cinco milhões de euros em 2008, ano em que nas salas os filmes nacionais renderam em bilhetes cerca de um milhão.

Quando se comparam os valores de toda a produção com obras internacionais, o contraste aumenta: até Outubro, em cada cem idas ao cinema apenas três foram para ver filmes portugueses. As receitas, de 1,335 milhões de euros no mesmo período e ainda ajudadas pela obra ‘Amália – O Filme’, representaram apenas 2,3 por cento do total dos ganhos em bilheteira.

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REACÇÕES

"Dos distribuidores a maioria são agentes comerciais dissociados da produção. Os problemas tendem a agravar-se na comparação com o cinema americano, até do ponto de vista tecnológico. Não se consegue acompanhar. Furar este bloqueio é baixar o nível, seja pela comédia burgessa ou o erotismo balofo.": João Mário Grilo, Realizador

"Não se deve olhar apenas o cinema como uma actividade comercial. Deveria aumentar-se ou até mesmo duplicar o número de filmes que se estreiam em Portugal e o Estado tem de participar na construção do património cultural. A falta de bons números deve-se ainda aos exibidores, que querem lucro imediato.": João Salaviza, Realizador

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