Sudoeste a escaldar
Sob um calor escaldante, bem acima dos 30 graus, arrancou ontem mais uma edição, a 9.ª, do Festival Sudoeste. As portas abriram às 17h00 e desde logo milhares de jovens tomaram de assalto a Herdade da Casa Branca, entre São Teotónio e a Zambujeira do Mar.
Elas de biquíni, eles de tronco nu, é assim o equipamento oficial do festival, que abriu numa altura em que a maior parte dos visitantes ainda procurava um lugar para montar a tenda. Eram aos magotes, de mochilas carregadas de desejo de ‘curtição’ nos quatro dias que se seguem (ver apoios), com muita música como tempero. Ao todo, vão ser perto de 70 artistas, com propostas para todas as sensibilidades.
Ontem, porém, ninguém apontava preferências especiais. E essa é, de resto, a virtude do Sudoeste. Mais do que um infindável desfile de bandas, o que conta é o espírito: uma oportunidade única de convívio no pico do Verão.
Nem sequer importa muito que alguns artistas faltem. Ontem, por “dificuldades de logística” segundo a organização, não foi possível assegurar a presença dos Fisherspooner. Nada que faça mossa num Sudoeste cada vez mais confortável (o parque de campismo está bastante bem identificado) e com ofertas de toda a ordem.
A recepção ao festivaleiro foi feita por marcas comerciais, que ofereciam toda a gama de ‘merchandise’. A Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, ofereceu pipocas e fitas/porta-chave para o pescoço, enquanto a Frisumo promovia um concurso de dança hip-hop.
Uma das formas de medir o sucesso do Sudoeste é a cada vez maior participação de população estrangeira. Os espanhóis, por exemplo, parecem, ter tomado o gosto ao Sudoeste. Em qualquer canto, é possível ouvir ‘hablar nuestros hermanos’, bastante mais efusivos e extrovertidos do que os portugueses.
A juntar a estes, há muitos brasileiros, que inclusivamente asseguram alguma da animação das marcas, e até há quem venha de mais longe (ver apoios).
A verdade é que todos têm expectativas muito elevadas quanto ao Sudoeste, reconhecido por todos como o maior festival do Verão português, uma imagem de marca do País.
Em termos musicais, o dia de ontem ficou marcado pelas actuações de Sean Paul no Palco TMN e por uma ‘performance’ da equipa do Gato Fedorento, que no Palco Planeta Sudoeste não deixou ninguém indiferente. Deu para aquecer, mas os ânimos já estavam ‘quentes’. E não estamos a falar só destas temperaturas de Agosto...
“É a primeira vez que aqui venho mas estou a curtir à força toda. Vim com a minha turma, a ala 10, que não se mede nem com a mão nem com os pés, e vim para ver tudo, mas mesmo tudo. Não alimento expectativas nenhumas. Quero é divertir-me ao máximo. É para isso que cá estamos.” João Filho, 20 anos, Faro
“Vim de comboio e outros meios de transporte... Eu tinha era de chegar! É a primeira vez que aqui venho e vim pelo festival em si, embora haja bandas que eu não quero perder. Sobretudo o Sean Paul e o Ben Harper. Vim com a namorada e vamos ficar até ao fim. A palavra de ordem é: divertir ao máximo.” Miguel Vilarinho, 18 anos, Aveiro
“Vim com o meu namorado e é a primeira vez que estou no Sudoeste. Estamos acampados e até agora estamos a gostar muito. A dimensão da coisa é surpreendente, nunca pensei. Isto é de facto muito grande. Queremos ouvir Ben Harper e Sean Paul.” Vera Almeida, 19 anos, Aveiro
“Sou neozelandesa mas vivo em Londres e esta é a primeira vez que estou em Portugal. Estou a adorar. Ouvi falar do festival na rádio e uns amigos aconselharam-me a vir. É, de facto, muito bom. Só tenho pena de partir. Amanhã tenho de de ir para Lisboa.” Lauryn, 21 anos, Nova Zelândia
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