Teatro: Alegrias e dramas de se ser artista
Diogo Infante adaptou e dirigiu 'A Gaivota', de Anton Tchékov. Alexandra Lencastre é uma das protagonistas.
Nota prévia: ‘A Gaivota’ que está em cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, não é de Anton Tchékov. É de Diogo Infante. O encenador decidiu, contra o que costuma ser a sua prática habitual, adaptar um clássico com 131 anos. Cortou partes substanciais da peça (que, na íntegra, duraria mais de três horas), mudou o nome de algumas personagens, atualizou a linguagem e, acima de tudo, fez-nos olhar, como nunca, para a questão da arte e do artista como o tema central do texto. Garante que, quando leu a peça pela primeira vez, aos 22 anos, foi sensível a esta mesma questão. “Identifiquei-me muito com o Constantino [dramaturgo e encenador], mas também com a Nina [jovem aspirante a atriz]”, recorda, admitindo que a temática lhe é “particularmente querida”. “Interessa-me a identidade, a essência do artista. O sofrimento que a arte pressupõe. O processo doloroso da procura, a busca incessante por algo que é inatingível: uma suposta perfeição”, sublinha.
O espetáculo, que assinala o regresso aos palcos de Alexandra Lencastre, foi, admite, construído em torno desta atriz que, mais de três décadas depois de ter dado corpo a Nina, encarna agora Irina Arkadina, atriz consagrada, vaidosa, destruidora de egos alheios. Mas inclui outros grandes nomes: Ivo Canelas (faz de Alexandre Trigorine); Guilherme Filipe; Rita Salema; AntónioMelo; Pedro Laginha; Margarida Bakker e Flávio Gil. Os protagonistas Nina e Constantino Treplev são interpretados por Rita Rocha Silva e André Leitão. Atores de técnicas e experiências díspares cujas personagens, desprovidas da carga sociológica que lhes deu Tchékov, aparecem no espetáculo de Diogo Infante mais frágeis do que nunca, mais humanos.
Para ver até 5 de abril, de quarta a sábado às 21h00, domingos às 16h30.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt