"Teatro é maior do que a própria vida", diz mensagem portuguesa do Dia Mundial do Teatro

Dramaturga Isabel Medina foi a autora da mensagem deste ano.

27 de março de 2026 às 16:33
"Teatro é maior do que a própria vida", diz mensagem portuguesa do Dia Mundial do Teatro Foto: Alípio Padilha
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A dramaturga Isabel Medina, autora da mensagem do Dia Mundial do Teatro da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), defende que o teatro "é maior que a própria vida", porque "a reflete, a espelha e a agiganta".

"O Teatro exige coragem. Exige resiliência", escreve a atriz, encenadora e dramaturga que demonstra a dimensão de liberdade do teatro, a sua capacidade de resistir, ao longo dos séculos, a perseguições, censura, iliteracia e ignorância.

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Na mensagem portuguesa para o Dia Mundial do Teatro, que se assinala esta sexta-feira, a cofundadora da companhia Escola de Mulheres recorda o modo como o teatro se ergueu em todos os momentos críticos da humanidade para a "criação de uma realidade mais benéfica e mais justa".

Hoje, como antes, há guerras, há genocídio, países ameaçados; há ataque aos direitos de mulheres e minorias; assiste-se ao estilhaçar do tecido social e económico, ao esboroar das democracias, ao ressurgimento de extremismos, alerta Isabel Medina.

"Por isso, nestes dias, o Teatro grita. Grita contra o genocídio e a ocupação de Gaza e de todos os países ameaçados. Grita contra os extremismos, as guerras, a exploração. O Teatro, face à opressão, sempre se reinventou e lutou. Porque Teatro é Liberdade", garante.

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"O Teatro convoca-nos à neutralidade, à escuta, à compreensão, e à ação. Não suporta limites, é visceral e cerebral, intuitivo e sistémico. E, acima de tudo, é livre".

Isabel Medina afirma que, "nestes tempos em que os direitos das mulheres e das minorias estão a ser atacados", lembrar a sua luta "para conseguirem o seu lugar no Teatro, nunca é demais", "porque equivale à luta que socialmente travamos, sempre, sem interrupção, ao longo de séculos".

"Ancorada no medo, a resistência dos homens a considerarem as mulheres como iguais, é um dos maiores absurdos da nossa existência", prossegue a autora de "Mulheres ao Poder". "E o Teatro, este nosso espelho, é disso um fiel testemunho".

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Nos "tempos ruidosos e intensos" da atualidade, em que a revolução tecnológica abriu caminho "a todo um novo mundo" no qual as "lições do passado já não servem de resposta" e "o futuro está envolto em dúvidas", Isabel Medina sustenta que o teatro pede ação e "coragem perante o desconhecido".

"Que cesse o ruído; se faça silêncio", porque hoje se celebra a vida e o teatro, escreve a encenadora de "O Guardião dos Sonhos".

A dramaturga verifica como todos e cada um, "seres vulneráveis e poderosos" se olham agora e reconhecem "à deriva num mundo global... mas digital".

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E defende que o teatro, "essa arte transformadora, tantas vezes usada como 'arma', voz coletiva, inimitável e agregadora" - "porque física, palpável humana e sagrada" -, "mais do que nunca essa relação corpo a corpo pode ser salvadora".

"A evolução tecnológica ultrapassou a evolução da Humanidade com consequências que não prevíamos, e que de alguma forma acabaram por ser reveladoras dos lugares que cada um de nós habita, das crenças que nos limitam, dos medos que nos movem. Seres fragilizados, manipuláveis, expomo-nos nas redes sociais como num grande cartaz publicitário de rua, dividindo-nos, tornando-nos reféns de quem encontra nessas redes a forma mais eficaz de usar o poder", sustenta.

Desta forma, "guerras, genocídios, o estilhaçar do tecido social e económico, o esboroar das democracias, o ressurgimento de extremismos coabitam o espaço digital de mãos dadas com casos amorosos, marketing, moda, e toda a panóplia de eventos da vida diária, nivelando a barbárie e o quotidiano", observa.

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Mas em todos os momentos críticos da humanidade, o teatro "soube erguer-se como farol e contribuir para a criação de uma realidade mais benéfica e mais justa" e esse "é mesmo um dos grandes poderes do teatro", considera Isabel Medina, lembrando que este "conecta e re(liga)" ao "expor a condição humana em todas as circunstâncias, de a integrar e transmutar".

Ao longo dos séculos, recorda a autora de "Os Novos Confessionários", o teatro resistiu e resiste sempre "a perseguições, às diversas censuras, a modas, à iliteracia, à ignorância", assim como "a políticas que o temem e desprezam, porque reconhecem a sua força".

E porque "é com amor que se vive e faz" o teatro.

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"Amor pelo ser humano, pela cultura, pela arte. Amor pelo mar de possibilidades que somos e que tão pouco exploramos. Amor pela diversidade, pela descoberta, pela união, pela ordem, pela justiça, pela paz". Por isso, "Viva o Teatro!", conclui Isabel Medina.

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