Teatro: História de uma mulher que não quer estar só
Jorge Silva Melo estreia esta sexta-feira, às 21h00, no Centro Cultural de Belém, a mais recente peça de José Maria Vieira Mendes. ‘Ana’ descreve a viagem de uma mulher pela sua própria vida, através das relações que estabelece com os outros. Em jovem e adulta, ‘os outros’ são os homens que partilham a sua intimidade. Mais idosa, é a filha que lhe enche os dias... até sair de casa. Como todos os filhos fazem, finalmente.
Mais do que contar-nos uma história, a peça de Vieira Mendes – jovem autor de quem os Artistas Unidos já levaram à cena vários textos – faz-nos reflectir sobre a fragilidade das relações humanas mas, também, sobre a necessidade que todos temos de companhia.
Formalmente, o espectáculo oferece-se como uma viagem pelo tempo: em saltos sucessivos, estamos no presente, depois no passado, e finalmente no futuro, tendo assim a percepção clara da evolução de uma mulher chamada ‘Ana’ e das relações que, ao longo da vida, vai fazendo e desfazendo.
Mas tudo isto é narrado de forma não linear. Apesar de próximos da linguagem do quotidiano, os diálogos de Vieira Mendes sugerem mais do que esclarecem e deixam-nos com mais perguntas do que respostas sobre a interioridade das personagens, sobre aquilo que pensam e sentem. Ao espectador não resta outra alternativa senão a de construir a história possível (cada um terá a sua), de ‘Ana’, dos seus namorados e da sua filha, que também se chama ‘Ana’.
E porque os Artistas Unidos continuam sem espaço fixo, este espectáculo – interpretado por Sylvie Rocha, Rita Brütt, Pedro Lacerda e António Simão – tem também uma história de viagem para contar. Fez a sua antestreia no Centro Cultural Vila-Flor, em Guimarães, depois apresentou-se na Oficinal Municipal do Teatro, em Coimbra, e só agora faz a sua estreia oficial, no CCB, onde estará até dia 13, antes de partir novamente e cumprir carreira no Teatro Municipal de Almada entre 26 de Novembro a 13 de Dezembro.
Jorge Silva Melo diz que não se importa de fazer deslocações com os espectáculos que produz. O pior é ter de programar com dois anos de antecedência. Mas em breve, poderá haver boas notícias para os Artistas Unidos...
“Estamos em negociações para ocupar o Teatro da Politécnica durante três anos”, contou ao CM. “Isto enquanto o espaço Capital ainda está no horizonte. A ideia é que, depois dos três anos, voltaríamos finalmente à casa mãe, de onde saímos expulsos pelo Santana Lopes.”
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