Teatros correm perigo

Sá da Bandeira, no Porto, e Olympia, em Lisboa, têm final incerto.

27 de agosto de 2013 às 01:00
teatros, cultura, Porto, Lisboa, Olympia, Sá da Bandeira, Caixa Geral de Depósitos Foto: Manuel de Almeida/Lusa
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O Teatro Sá da Bandeira, no Porto, está à venda há anos (desde a década de 60 que os proprietários o querem alienar), e o Cinema Olympia, em Lisboa, que La Féria comprou, mas não consegue pagar, está nas mãos do credor, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), com fim incerto.

São dois casos de edifícios emblemáticos que correm o risco de desaparecer enquanto espaços para a cultura, juntando-se a uma longa lista de exemplos do passado, alguns mais traumáticos do que outros (ver apoios).

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La Féria, que destinava o antigo cinema pornográfico a auditório de teatro de repertório e a escola de artes, chegou a avançar com obras de remodelação, até que "o País parou".

"Arrisquei tudo neste projeto, mas não vou dizer quanto é que o Olympia me custou", diz o produtor. "O que sei é que vou perder tudo porque ninguém me ajuda. Só os loucos ainda apostam em Portugal", lamenta.

O Sá da Bandeira é outro caso. À venda por cinco milhões de euros, tem quatro inquilinos para cinco mil metros quadrados e nele continuam a funcionar o teatro, duas salas cinema, sala de jogos e estabelecimentos comerciais. Segundo José Luís Kendall, da imobiliária Kendall & Associados, vai ser "difícil" mantê-lo como espaço cultural. "O edifício está classificado como imóvel de interesse nacional, o que dificulta a venda", diz. "Ao longo dos três anos que está na mediadora, tivemos dois interessados, e embora o negócio não se tenha realizado, eram ambos de hotelaria", acrescenta o responsável.

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Filipe La Féria também acha que esse será o fim do Olympia: transformar-se em hotel. Até à hora de fecho do jornal não foi possível ouvir a CGD.

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