Filme 'Terra Vil': da dor à esperança
Filme de Luís Campos é um mergulho nas cicatrizes deixadas pela tragédia de Entre-os-Rios.
A tragédia de Entre-os-Rios aconteceu há 25 anos. Fez 59 vítimas mortais e deixou um número incontável de gente traumatizada por um acidente que abalou o País. Agora, é protagonista de um filme, acabado de chegar às salas. ‘Terra Vil’ é a forma encontrada por Luís Campos para purgar uma dor coletiva que ainda se sente em Castelo de Paiva.
Ao CM, o realizador diz que o projeto começou a desenhar-se na sua cabeça em 2012, quando escreveu a primeira versão do argumento. Isto depois de umas quantas visitas em que se deixou “apaixonar pelas magníficas paisagens” da região e descobriu “uma casa de acolhimento para crianças em risco”. Muitas das quais fruto de famílias destruturadas por causa da queda da ponte. “Ao longo das várias versões que fiz, fui centrando progressivamente a minha história na figura de um menino, o João, cujo pai, António, é um homem perdido...” Perdido ao ponto de se tornar perigoso e de os serviços sociais lhe retirarem a guarda do filho.
João é interpretado por William Cesnek, António por Rúben Gomes, mas no elenco estão mais nomes sonantes: Lúcia Moniz, José Martins, António Capelo. “Conhecia o trabalho destes atores, admirava-os. Por isso os convidei. OJoão foi escolhido por casting e, quanto a mim, a escolha acertada”, considera Luís Campos, que garante que a história que se conta no grande ecrã “é ficção, por respeito para com as pessoas”. Plasticamente irrepreensível, fazendo jus à beleza dos cenários naturais de Castelo de Paiva, ‘Terra Vil’ faz-nos antecipar, pelo menos duas vezes, mais um desfecho trágico. No último momento, porém, resgata o espectador ao drama. “Há um sentido de redenção no meu filme”, admite. “Quis desenhar a possibilidade de um futuro que não passasse pela destruição, mas sim pela sobrevivência, renascimento e continuidade”, conclui.
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