Tirar Saramago do currículo do ensino secundário gera revolta

Ministério da Educação lançou uma consulta pública que prevê que obras do Nobel português deixem de ser leitura obrigatória.

01 de abril de 2026 às 01:30
José Saramago Foto: Direitos Reservados
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O arranque de uma consulta pública sobre “aprendizagens essenciais” que inclui a possibilidade de os livros ‘Memorial do Convento’ e ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’, de José Saramago, deixarem de ser de leitura obrigatória no 12.º ano está a gerar polémica junto de vários setores. A Associação de Professores de Português anunciou logo que “os alunos continuarão a estudar as obras do escritor, mesmo que os seus livros deixem de ser obrigatórios” e esta terça-feira, em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) manifestou “estranheza e discordância” em relação à proposta e lembrou que “José Saramago foi e é um dos mais destacados e distinguidos escritores portugueses de sempre, com uma obra que se encontra traduzida em dezenas de idiomas”.

Interpelado pelos jornalistas, o ministro da Educação desvalorizou a polémica, salientando que a consulta pública às aprendizagens essenciais aplica-se a todas as disciplinas e que “é uma primeira fase, absolutamente técnica”, não havendo ainda qualquer decisão tomada. Nesta proposta de revisão, o ministro Fernando Alexandre prevê que as obras de Saramago possam ser substituídas pelo título ‘Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde’, de Mário Carvalho, e que Camilo Castelo Branco passe a ser de leitura obrigatória. A consulta pública deverá durar um mês e o resultado entrará em vigor no ano letivo de 2027/28.

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