Tirar Saramago do currículo do ensino secundário gera revolta
Ministério da Educação lançou uma consulta pública que prevê que obras do Nobel português deixem de ser leitura obrigatória.
O arranque de uma consulta pública sobre “aprendizagens essenciais” que inclui a possibilidade de os livros ‘Memorial do Convento’ e ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’, de José Saramago, deixarem de ser de leitura obrigatória no 12.º ano está a gerar polémica junto de vários setores. A Associação de Professores de Português anunciou logo que “os alunos continuarão a estudar as obras do escritor, mesmo que os seus livros deixem de ser obrigatórios” e esta terça-feira, em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) manifestou “estranheza e discordância” em relação à proposta e lembrou que “José Saramago foi e é um dos mais destacados e distinguidos escritores portugueses de sempre, com uma obra que se encontra traduzida em dezenas de idiomas”.
Interpelado pelos jornalistas, o ministro da Educação desvalorizou a polémica, salientando que a consulta pública às aprendizagens essenciais aplica-se a todas as disciplinas e que “é uma primeira fase, absolutamente técnica”, não havendo ainda qualquer decisão tomada. Nesta proposta de revisão, o ministro Fernando Alexandre prevê que as obras de Saramago possam ser substituídas pelo título ‘Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde’, de Mário Carvalho, e que Camilo Castelo Branco passe a ser de leitura obrigatória. A consulta pública deverá durar um mês e o resultado entrará em vigor no ano letivo de 2027/28.
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