"Toda a história da Malala é um permanente desafio"
Livro de Maria Inês Almeida promete tocar o coração dos adultos e das crianças.
A história de Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que defendeu o direito à educação e foi baleada pelos talibã, tocou o mundo e valeu-lhe o Nobel da Paz em 2014. Agora, também os mais novos podem conhecer a sua odisseia de coragem, tão chocante quanto inspiradora, em ‘A admirável aventura de Malala’, o livro escrito por Maria Inês Almeida que promete tocar o coração tanto dos adultos como das crianças.
"No ano passado, durante uma visita a uma livraria em Oxford, Inglaterra, o meu filho [que tem seis anos] viu um livro sobre a Malala. Pegou nele e disse: "Mamã, é a Malala! Ela ajuda as crianças. Deve ser muito fixe. Podes comprar-me? Expliquei-lhe que o livro era para ser lido apenas por adultos e ele começou a chorar. Percebi então que não só teria de lhe ler a história de Malala como também escrevê-la em português", conta a autora, explicando que foi desta maneira que decidiu escrever o livro.
Seguiu-se então uma busca exaustiva de informações sobre a jovem paquistanesa. "O desafio era transformar toda essa história num livro para crianças", revela Maria Inês Almeida, que teve de encontrar uma forma de não ferir a sensibilidade dos mais pequenos. "Essa foi a parte mais difícil. Como se fala de e explica algo que nos choca a nós, adultos? Toda a história da Malala é um permanente desafio."
Sobre a mensagem que pretende transmitir com este trabalho, a autora diz que quer que "todos os jovens se sensibilizem para a causa da Malala. Que todas as mulheres usufruam de liberdade e que todas as meninas possam ir à escola. Falar da Malala nos meios de comunicação é normal e importante, mas são coisas que, às vezes, se esquecem depressa. Haver um livro que também pode chegar a escolas, às famílias, pode ser igualmente determinante. O exemplo de Malala é encorajador para as crianças de todo o mundo."
Editado pela Planeta e ilustrado por Sandra Lavandeira, da Argentina, ‘A admirável aventura de Malala’ já chegou às livrarias de todo o País.
Exemplo de coragem
Malala Yousafzai, que celebra o seu 18.º aniversário dia 12 de julho, ficou conhecida por defender o acesso das mulheres à educação na sua terra natal do vale do Swat, na província de Khyber Pakhtunkhwa, no nordeste do Paquistão, onde os talibãs proíbem as jovens de frequentar a escola. Desde então, o ativismo de Malala tornou-se um movimento internacional.
A família de Malala gere uma cadeia de escolas na região. Em 2009, quando tinha 12 anos, Malala escreveu para a BBC um blog sob pseudónimo, no qual detalhava o seu dia a dia durante a ocupação talibã e as tentativas destes em controlar o vale. No verão seguinte, o ‘The New York Times’ publicou um documentário sobre Malala, à medida que o exército paquistanês intervinha na região. A popularidade de Malala aumentou consideravelmente, sendo nomeada para o Prémio Internacional da Criança pelo ativista sul-africano Desmond Tutu.
Na tarde de 9 de outubro de 2012, Malala entrou num autocarro escolar, quando um homem armado chamou o seu nome e atingiu-a com três tiros, um deles na cabeça, deixando-a em estado grave.
A tentativa de assassinato desencadeou um movimento de apoio nacional e internacional. A Deutsche Welle escreveu em 2013 que Malala se tornou "a mais famosa adolescente em todo o mundo". O enviado especial das Nações Unidas para a educação global, Gordon Brown, lançou uma petição da ONU em nome de Malala com o slogan ‘I am Malala’ (‘Eu sou Malala’), exigindo que todas as crianças do mundo estivessem inscritas em escolas até ao fim de 2015. A petição que impulsionou a retificação da primeira lei de direito à educação no Paquistão.
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