Tribunal belga recusa proibição de venda de 'Tintim no Congo'

A justiça belga recusou a proibição da venda do livro ‘Tintim no Congo’, de Hérge. Descontentes, o cidadão da República Democrática do Congo, que acusou a obra de racismo, vai recorrer da sentença.<br/>

14 de fevereiro de 2012 às 14:08
Tintim, 'Tintim no Congo’, Hérge, Mbutu Mondondo, República Democrática do Congo, Bélgica, justiça belga, racismo Foto: d.r.
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"Vamos levar o caso até onde pudermos" disse o advogado de Mbutu Mondondo, citado pela France Press, e que vai apresentar recurso da decisão, anunciada na última segunda-feira, na tentativa de conseguir a retirada dos livros do mercado.

De acordo com o tribunal que julgou o caso desde o ano passado, a obra, cuja primeira edição em livro data de 1946, não é "movida por intenções racistas, tendo em conta o contexto da época".

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Mbutu Mondondo, da República Democrática do Congo e residente na Bélgica, tenta, desde 2007, que as edições de ‘Tintim no Congo’ sejam retiradas do mercado ou, em alternativa, sejam acompanhadas de um prefácio que explique o contexto político e cultural da altura, tal como acontece, desde 1991, na edição inglesa, onde o livro é colocado nas livrarias nas secções para adultos e não para crianças porque o "conteúdo pode ser ofensivo".

"É uma banda desenhada racista, que faz a apologia da colonização e da superioridade da raça branca sobre a raça negra", afirmou Mondondo, que interpôs o processo em tribunal contra as editoras Casterman e Moulinsart, detentoras dos direitos de autor e comerciais da obra de Hergé. Modondo foi apoiado pelo Conselho dos Representantes das Associações Negras, uma organização com sede na Bélgica.

"Ponham-se no lugar de uma criança negra de sete anos que descobre o 'Tintim no Congo' na escola", disse Mbutu Mondondo, acrescentando que o álbum de banda desenhada representa a imagem do "negro preguiçoso, dócil ou idiota e incapaz de se exprimir correctamente em francês".

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Após a leitura da sentença, o representante das editoras Casterman e Moulinsart, que considerou o processo "um atentado contra a liberdade de imprensa" disse encarar a decisão do tribunal "com grande satisfação".

O advogado das editoras explicou que quando desenhou a obra, Hergé "era um jovem de 23 anos que nunca tinha saído de Bruxelas" e que, sobre a colónia belga em África, não conhecia mais do que os artigos publicados na "imprensa burguesa e conservadora daquele tempo" assim como os relatos dos missionários católicos.

"Era a época da 'revista negra' de Joséphine Baker e da exposição colonial de Paris. Hergé é fruto do seu tempo. A obra é paternalista mas não é racista", afirmou a defesa durante o julgamento que terminou na sexta-feira.

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‘Tintim no Congo’ é a segunda aventura da série, após ‘Tintin no País dos Sovietes’. Foi desenhada inicialmente no final dos anos 1920 e publicada em fascículos no suplemento infantil da revista católica belga ‘Petit Vingtiéme’ em 1930 e 1931, tendo sido editada em livro pela primeira vez em 1946, a preto e branco.

De acordo com números fornecidos pelas editoras, "Tintin no Congo" continua a ser actualmente um dos livros mais vendidos da colecção, em todo o mundo.

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