“Vivemos na lógica do capitalismo”
Manuel Alegre, poeta e deputado
Correio da Manhã – Esta fusão de editoras num único projecto inspira-lhe confiança?
Manuel Alegre – Em princípio pode funcionar na medida em que, a estender-se a outros países de Língua Portuguesa como faz parte do projecto, vai divulgar e promover obras e autores. É uma constatação, não é um juizo de valor!
– Um juízo de valor seria...
Seria uma preocupação para com a preservação da autonomia da Dom Quixote que é a minha editora mas, desde que esta concentração respeite as autonomias, as especificidades e as identidades de cada uma das editoras, o resto só a experiência o dirá.E o meu critério é estar atento!
– Mantém a confiança na política de bom senso que defendeu quando a DomQuixote foi comprada pelo Grupo Leya?
– Até prova em contrário não tenho razão de queixa.Existe respeito para com as obras e os autores, o mesmo respeito de antigamente, o que para mim é fundamental. Tudo o resto é inevitável. Não adianta gostar ou não gostar. Vivemos na lógica do capitalismo.
– Não há alternativas?
– Há. Os pequenos editores aí estão e o meu próximo livro vai sair, em Junho, pela Sextante, a editora do João Rodrigues. Há sempre espaço para os bons, autores e editores. E, depois, uma pessoa até se pode editar a si própria como toda a vida fez o Miguel Torga. Só não faço o mesmo porque dá muito trabalho!
– Não teme a ditadura do ‘best-seller’?
– É esperar para ver.O que está a contecer não é bom nem mau, é inevitável. A distribuição e a difusão do livro no mundo é uma vantagem... E, depois, por exemplo, a om Quixote antes de ser do Grupo Leya era do Grupo Planeta que, sendo espanhol, privilegiava os espanhóis. Mal por mal, agora, somos todos portugueses.
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