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Declaração de guerra

Escreveu uma vez alguém que o Brasil é como um abismo que nunca chega. Terá sido, certamente, a partir dessa ideia que a cantora Fernanda Abreu compôs o seu mais recente trabalho de originais, ‘Na Paz’, na verdade uma declaração de guerra contra o clima de terror que se vive em cidades brasileiras como São Paulo ou Rio de Janeiro. Mas não só. Quem quiser que enfie o barrete.

31 de janeiro de 2005 às 00:00

A própria capa do disco é assim uma espécie de Guns N’ Roses à brasileira, em que Fernanda Abreu aparece a empunhar duas armas com dois girassóis enfiados nos respectivos canos. “Estou dizendo: olha o que eu faço com suas armas. Essa é a minha mensagem para a al-Qaeda, para o Comando Vermelho, para o PCC. Não dá para ignorar o uso de armas do fogo no Brasil, um dos países onde se mata mais dessa forma no mundo”, explica.

E porque a paz é, infelizmente, quase tão utópica quanto o seu desejo de a ver concretizada, também o disco abre ao som de dois temas a roçar a inocência: ‘Brasileiro’, que fala do país verdadeiramente livre e independente, e ‘Eu Vou Torcer’, tema de Jorge Benjor que fala de torcer pelas coisas bonitas da vida como a paz, a alegria e o amor.

E porque nestas coisas não há como ser coerente, Fernanda Abreu resolveu ela própria libertar-se da sua editora de 20 anos, desde a altura em que era vocalista dos Blitz. ‘Na Paz’ é editado pela nova etiqueta da cantora que não poderia ter recebido outro nome senão ‘Garota Sangue Bom’.

Mas não se pense que num disco sobretudo temático a música é para passar ao lado. Em ‘Na Paz’ cabe de tudo um pouco, começando nos arranjos electrónicos, passando pelo violão e terminando no samba, o regresso ao realismo depois de um disco a sonhar: “O meu olhar esquadrinhando a selva urbana. O coração de quem não come há uma semana. Vou me cuidar. Vou me trancar”.

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