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Haverá sempre música de Dina a tocar entre nós

Cantora morreu na noite da última quinta-feira no Hospital Pulido Valente, em Lisboa.

13 de abril de 2019 às 01:30

Fiquei muito aquém do que poderia ter feito, por culpa minha e por culpa de outros. Eu era muito ingénua, se calhar até ignorante. Faltou-me marketing. Podia ter feito muito mais." Em 2016, já depois de anunciar o abandono dos palcos por motivos de saúde, Dina olhava assim, em entrevista ao CM, para os 40 anos de carreira.

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Haverá sempre música de Dina a tocar entre nós

Ondina Maria Farias Veloso morreu na noite de quinta-feira no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, aos 62 anos. A cantora, que travava desde 2006 uma luta contra uma fibrose pulmonar, já só respirava, nos últimos tempos, com a ajuda de uma botija de oxigénio e aguardava um transplante. A situação obrigou-a a pôr a música de lado há três aos. "Não dava para continuar. Eu já nem conseguia sequer afinar e achei melhor parar para não andar a fazer figuras tristes", confidenciava. O funeral, apenas reservado a familiares e amigos, realiza-se hoje pelas 14h00, no Cemitério dos Olivais.

Nascida a 18 de Junho de 1956, no Carregal do Sal, Dina começou a dedicar-se à música nos anos 70, por sua conta e risco, como autodidata, quando ainda "não tinha ninguém" que pudesse ensiná-la como se fazia, dizia. Pioneira no cantautorismo feminino em Portugal, participou em 1980, pela primeira vez, no Festival da Canção, onde, apesar de ter ficado pelos últimos lugares, venceu o prémio revelação.

Em 1992, contudo, não deu hipóteses à concorrência e venceu o concurso com aquela que viria a tornar-se a sua canção mais emblemática, ‘Amor de Água Fresca’, com poema de Rosa Lobato Faria. Da carreira destacam-se ainda canções como ‘Há Sempre música entre Nós’, ‘Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim’ ou o ‘Acordei o Vento’, mas do percurso ficam outros sucessos. "Acho que nunca desiludi as pessoas, mas há muita ignorância em relação a muitas coisas que fiz", dizia.

PORMENORES

1980

Dina torna-se conhecida do grande público ao participar pela primeira vez no Festival da Canção com o tema ‘Guardado em Mim’, canção com poema de Eduardo Nobre.

Hino do CDS

Em 1995, a convite de Manuel Monteiro, Dina compôs o hino do CDS-PP ‘Para a voz de Portugal ser Maior’. Em 2003 fez novo hino para Nova Democracia.

Despedida

Em Novembro de 2016, músicos como Ana Bacalhau, Márcia ou B Fachada reuniram-se no Teatro Tivoli em Lisboa, para comemorarem os 40 anos de carreira de Dina. A cantora esteve presente mas já não conseguiu cantar.

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