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Correio da Manhã

Cultura
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40 mil vibram com os Depeche Mode

A noite com mais público do Alive ficou marcada por um ambiente de festa, própria de grandes momentos musicais, e pelos festivaleiros que foram a Algés, sobretudo, para ver os Depeche Mode, o nome mais apelativo do cartaz de sábado.

 

 

14 de Julho de 2013 às 13:41
Com um som bem mais agressivo do que os festivaleiros esperavam, os Depeche Mode não fizeram concessões
Com um som bem mais agressivo do que os festivaleiros esperavam, os Depeche Mode não fizeram concessões FOTO: Rafael Marchante/Reuters

Cerca de 40 mil pessoas, esperaram, com calma contida, a entrada em cena da banda, quatro anos após a última passagem do grupo britânico pelo Pavilhão Atlântico, em Lisboa. ‘Welcome To My World’, convidou David Gahan no tema que abriu o espetáculo, retirado de ‘Delta Machine’ lançado em Março passado. Antes de atacar ‘Walking In My Shoes’, berra de forma emotiva: “Boa noite, Lisboa”. O público respondeu ao excelente ambiente que foi criado pela banda em palco.

Com um som bem mais agressivo do que os festivaleiros esperavam, os Depeche Mode não fizeram concessões. Os fãs corresponderam de braços no ar, efusivos nas celebrações a cada tema. ‘Black Celebration’, ‘Policy Of Truth’ e ‘Barrel of a Gun’ foram os primeiros grandes momentos do concerto.

Com o público ganho, voltam ao último trabalho com ‘Soothe My Soul’, seguido da versão remixada de ‘A Pain That I’m Used To’. O ambiente estava perfeito e tornou-se escaldante com o clássico ‘A Question of Time’. ‘Secret to the End’ dá lugar a ‘Enjoy the Silence’ e Gahan nem precisa de esforçar-se para cantar. A sua voz é substituída, logo aos primeiros acordes, pelo coro eufórico de milhares de vozes durante toda a canção. E só não sucedeu o mesmo com ‘Personal Jesus’, que encerrou o concerto, porque a maior parte não se apercebeu do início alternativo a um dos temas mais amados pelos fãs.

Já em ‘encore’, ‘Home’, em versão acústica, e ‘Halo’, introduziram ‘Just Can’t Get Enough’, imprescindível em qualquer alinhamento ao vivo dos Depeche Mode. O tempo esgotava-se, mas houve ainda tempo para ‘I Feel You’ e ‘Never Let Me Down Again’, com que encerrou um espetáculo que passou as duas horas.

O cansaço para as milhares de pessoas que tinham adorado Depeche Mode não fez mossa, deixando-se ficarem para dançar ao som de 2manydjs em mais uma atuação que não deixou ninguém indiferente.

EDITORS EM AMBIENTE MORNO

Os Editors terão sido uma das deceções da noite, mais sentido quando largos milhares já se aglomeravam em frente ao palco principal do Alive. A entrada em cena do grupo inglês foi demasiado discreta, quase sem se fazer notar, que teve correspondência numa receção anormalmente calma. O novo ‘The Weight of Your Love’ serviu de base a uma performance que não passou da mediania e que nunca conseguiu entusiasmar, quase como se sentissem que a noite não era deles.

Antes dos Editors, o palco principal pertenceu aos Jurassic 5. A banda já não tocava junta há 7 anos e reuniu-se de propósito para esta digressão mundial. Contudo, em palco, o grupo norte-americano mostrou que não está enferrujado e que o seu hip-hop continua atual, animando os cerca de 5 mil festivaleiros que assistiram ao espetáculo.

O’queStrada, que abriram o segundo dia do Alive, tocaram apenas para 2000 mil pessoas, que foram aumentando à medida que o público começava a espalhar-se pelo festival.

CAPITÃO FAUSTO ENTUSIASMANTES

No palco secundário, os Wild Belle mostraram um ‘indie’ alternativo, tocado aqui e ali por sonoridades reggae e folk, apoiados na eletrónica, para um som que apelava aos sentimentos, em contra corrente ao ambiente explosivo criado pelos DIIV na sua estreia no nosso País

O cenário foi entregue, de seguida, aos eletrónicos Rhye, até os portugueses Capitão Fausto assumirem o comando da noite. Boa surpresa, o noise rock do grupo, onde não foi esquecido, o novo ‘Célebre Batalha de Formariz’, que serve de apresentação ao segundo álbum do grupo, a ser editado no próximo mês de setembro.

Já depois da meia-noite, foi a vez do blues rock do The Legendary Tigerman tomar conta do espetáculo. Espaço cheio e efusivo, para acompanhar os devaneios de Paulo Furtado em mais um ótimo concerto. A noite terminou com o som abrasivo de Hercules & Love Affair, que à última da hora substituíram o duo de eletro-pop Icona Pop, e Crystal Castles souberam segurar os mais resistentes quando subiram ao palco quase às três horas da manhã.

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