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Correio da Manhã

Cultura
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52 mil já viram Rápido

Diretor Alexandre Gonçalves diz que projeto tem existência precária.
18 de Maio de 2014 às 18:50
Rita Ribeiro na peça ‘Gisberta’, o maior sucesso do Teatro Rápido
Rita Ribeiro na peça ‘Gisberta’, o maior sucesso do Teatro Rápido FOTO: D.R.

Uma prostituta confessa ao cliente que a solidão é a sua grande companhia. Na sala ao lado, Natália Correia grita que os portugueses gostam de tourada porque "nasceram para estar na bancada". E, enquanto um homem morre de cancro do pulmão, outro queixa-se de que a sua camisa tem quatro buracos de queimadura de cigarro. Estas são as quatro peças que o Teatro Rápido exibe este mês em Lisboa, e com as quais o diretor, Alexandre Gonçalves, celebra dois anos do projeto que trouxe de Espanha em 2012. Os espetáculos, de 15 minutos e apresentados em sessão contínua, já estiveram em cena, mas por insistência do público voltam agora, numa espécie de ‘best of'.

Com 52 mil espectadores em 24 meses de atividade ininterrupta, Alexandre Gonçalves diz-
-se "satisfeito com o sucesso" mas "apreensivo quanto ao futuro". "Enquanto estrutura, o Teatro Rápido não se sustenta e tem uma existência muito precária", admite. "Quando comecei - e porque somos uma associação sem fins lucrativos - acreditei que ia arranjar apoios facilmente. De empresas, de privados... Nada. Não temos apoio nenhum e se não arranjarmos uma solução o microteatro pode ter os dias contados."

Se o projeto for interrompido, porém, não será por falta de repertório. O diretor diz que há meses em que recebe mais de vinte candidaturas de escritores, atores e encenadores dispostos a mostrar o seu trabalho em 15 minutos e a ganhar à bilheteira.

"Isto só mostra como está o mercado", reflete.

Para o futuro, só uma certeza: o preço unitário das peças será sempre de três euros. Dez euros para ver os quatro espetáculos. n

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