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Correio da Manhã

Cultura
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A actualidade de três homenagens

José Simões (matador) e os bandarilheiros António e Manuel Badajoz recebem homenagem em Coruche.
9 de Janeiro de 2008 às 00:00
Na passada semana fiquei de continuar o tema Rui Bento e a Praça do Campo Pequeno. Tendo, no entanto, sentido a necessidade de, também, por devoção, dar prioridade à actualidade, entendi que voltarei ao assunto da arena de Lisboa no próximo ‘Apontamento’, dando hoje lugar à grande homenagem que vai ser prestada no próximo sábado a três grandes interpretes da tauromaquia nacional: o matador de toiros José Simões e os bandarilheiros também já retirados António Badajoz e seu irmão Manuel Badajoz. Vai ser em Coruche, terra natal dos três toureiros. Uma homenagem promovida pelo Círculo de Amigos Taurinos. Em boa hora, diga-se porque não têm sido devidamente assinaladas as brilhantes carreiras de qualquer deles.
José Simões foi um matador de toiros de plena raça. De entrega total. O seu ponto mais forte era a muleta, tendo ficado conhecido como um excelente tecnicista, de faenas eficazes, chegando ao domínio final. Arrimava-se uma barbaridade. Citava os toiros de largo, ia-lhes ganhando terrenos e distâncias, até à emoção maior de estar valentíssimo cerca das pontas, que não poucas vezes o feriram.
De José Simões, se recordam igualmente os seus quites por ‘gaoneras’, muitas vezes vítima de tremendas voltaretas de tal forma se arrimava. Foi grande, registando-se que na Alternativa em Badajoz (Espanha), cortou quatro orelhas e dois rabos, com natural saída em ombros pela porta grande, feito invulgar em todo o Mundo!
Os irmãos Badajoz são também credores desta justa homenagem de sábado. Vestido Seda a Prata, souberam ser também Figuras, admirados em todo o planeta taurino. Manuel, mais subtil, António, mais poderoso. Mas ambos duma extraordinária capacidade e toreria!
António Cipriano ‘Badajoz I’ revelou-se um profundo conhecedor do animal toiro, na praça e também no campo. Perfil rigoroso e frontal, bordava lances com o seu capote, num misto de poder, elegância e sentimento. Com as bandarilhas era também um artista de grandes méritos. Em suma, um toureiro de letra grande. Manuel Cipriano ‘Badajoz II’ foi toureiro de outro corte. Como que bailando de sapatilhas e em pontas, a sua arte era leve mas profunda. Os seus lances de capote eram brisas que davam gosto sentir e ver, infinitas também no voo desse seu capote de sonho. Com as bandarilhas, igualmente um artista eficaz e elegante.
Resta acrescentar que os irmãos Badajoz souberam também transmitir a sua arte e a sua técnica, tendo ‘produzido’ alguns toureiros, entre os quais o saudoso José Falcão, bem como o próprio José Simões. Bem-haja, por esta justa homenagem.
RUI FERNANDES
Em resultados dos muitos êxitos alcançados em arenas mexicanas, vai ser repetido na Monumental Praça México, em cartel de triunfadores, depois de êxito ali alcançado recentemente na sua apresentação.
MOURÃO
Bela vila alentejana prepara-se para receber no próximo dia 1 de Fevereiro, às 15 horas o seu já tradicional Festival. Salgueiro, Duarte, José Júlio, Procuna, Bejarano e Pozada serão os toureiros em praça.
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