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Correio da Manhã

Cultura
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A ARTE DE BRUBECK

O FunchalJazz deste ano ficou marcado por um novo figurino: quatro noites de espectáculo entre 7 e 10 deste mês, nos Jardins da Quinta Magnólia. Dave Brubeck e o seu quarteto protagonizaram o concerto de abertura, o "prestígio", perante duas mil pessoas, número nunca alcançado nos quatro anteriores festivais.
13 de Julho de 2004 às 00:00
 Dave Brubeck (esq.) e o seu trio interpretaram, de forma surperior, as suas composições
Dave Brubeck (esq.) e o seu trio interpretaram, de forma surperior, as suas composições FOTO: Rui Camacho
Apesar dos seus 84 anos, quando está ao piano Brubeck parece um jovem, tal é a energia que coloca nos solos. Aliás, a sua craveira musical bem como a dos restantes elementos do grupo - Bobby Militello (sax alto), Michael Moore (contrabaixo) e Randy Jones (bateria) - ficou bem vincada na forma superior como interpretaram 'On The Sunny Side Of the Street', 'Blue Rondó A La Turk', 'Love For Sale' e 'Take Five', entre outros. Brubeck não brindou o público com 'encores' mas mostrou a sua arte durante quase duas horas e de forma incrível.
Quinta-feira, o Festival teve o momento alto e singelo da homenagem a Max, popular cantor madeirense, grande artista de revista e amante do jazz. Jorge Costa Pinto com a sua Orquestra e a voz de Maria Viana recordaram 'Noites da Madeira', 'Porto Santo' e 'Bailinho da Madeira', em interpretações onde os excelentes arranjos do maestro fizeram brilhar a voz de Maria e as intervenções dos solistas. À assistência agradaram, sobretudo, as versões instrumentais de 'Mula da Cooperativa' e 'Rosinha dos Limões' em ritmo de jazz.
João Bosco actuou a seguir, deixando o perfume das suas composições espalhar-se pelos jardins. Acompanhado por uma secção rítmica notável, Bosco cantou, entre outras, 'Vatapá', 'Corsário', 'O Bêbado e a Equilibrista' e 'Papel Maché'.
Na terceira noite, o trio do jovem saxofonista tenor Mark Turner levou o jazz moderno ao Funchal, tendo como grandes protagonistas o baterista Jeff Ballard e a cantora Lizz Wright, cuja poderosa voz encantou na interpretação de temas onde o gospel se fez sentir de forma absoluta.
A última noite abriu com o quarteto do jovem trompetista português Hugo Alves. Na actuação, baseada no disco 'Estranha Natureza', sentiu-se a qualidade de compositor e a capacidade de intérprete do trompetista: dinâmica e consistência aliadas a uma sonoridade cristalina.
Magic Slim & Teardrops encerraram, de forma animada, este grande festival, com duas horas de blues de Chicago, com a avassaladora voz deste gigante mais os decibéis da banda.
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