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Correio da Manhã

Cultura
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A BELA ADORMECIDA

Esmeralda é como uma pedra rara. A beleza é frágil. O sorriso terno. Poderia ser um anjo, se não tivesse um pecado quase mortal: é uma dorminhoca inveterada
18 de Junho de 2002 às 02:02
A BELA ADORMECIDA
A BELA ADORMECIDA
Esmeralda é uma dorminhoca assumida. Os colegas alcunham-na de “soneca”. «Se pudesse, dormia sempre 12 horas por dia». A pior coisa que podem fazer a esta alfacinha de 22 anos, de nariz arrebitado, olhar cândido, lábios carnudos e ar angelical é marcar castings e filmagens quase de madrugada. «Uma das piores recordações que tenho é a de estar numa sessão fotográfica às oito da manhã na praia do Guincho, no Inverno, apenas com um cai-cai, ao vento e ao frio». Apesar de não gostar de acordar com o cantar dos galos, Esmeralda nunca se atrasa quando estão em causa assuntos de trabalho. Ela leva muito a sério a profissão na qual deu os primeiros passos há quatro anos.


A sua história não é muito diferente da de centenas de colegas, que caíram de pára-quedas no mundo “glamouroso” da moda. «Pode parecer cliché, mas tornei-me manequim quase por acaso, afirma». O seu 1,77m de altura e a cara de miúda quase angelical, despertaram a atenção dos scouters, uma espécie de olheiros do mundo da moda. «Perguntaram-me se não queria fazer parte de um curso de manequins. A princípio fiquei um pouco desconfiada, mas acabei por ficar. O Tó Romano, que deu algumas aulas, agenciou-me ainda antes de acabar o curso, recorda».


Esmeralda nem teve tempo para respirar fundo. «Quando dei por mim estava a desfilar na passerelle da ModaLisboa». Nos primeiros dias, andava «cansada e nervosíssima da vida», algo bastante natural para uma rapariga de 18 anos, que de repente se vê ao lado de nomes sonantes como Sofia Aparício, Nayma ou Cláudia Mergulhão. «Não estava habituada àquele ritmo de pôr e tirar roupa, maquilhar e desmaquilhar-me e ter uma data de pessoas à minha volta, conta». Mas lá diz o ditado que o tempo é o melhor conselheiro e, hoje, é com toda a naturalidade que encara os desfiles.


Esmeralda, que se define como uma «pessoa muito sociável», não teve dificuldade em arranjar amizade entre manequins, estilistas e fotógrafos. «Mais uma vez pode parecer lugar-comum, mas o meio da moda em Portugal funciona um pouco como uma família». Não é de admirar, pois encontram-se quase sempre as mesmas caras nos mesmíssimos eventos. «A pequenez do meio é uma vantagem». Ela jura que não sente o corte e costura e garante: «A competição que existe é mais do que saudável». Pelo contrário, das vezes que viajou para o estrangeiro, sentiu na pele o preço do anonimato. «Estive em Milão e asseguro que não foi nada fácil. Marcaram-me e desmarcaram-me trabalhos sem nenhuma justificação. Uma confusão!» lembra. Os problemas foram tantos que quase nem se recorda da beleza da cidade italiana. Afinal, nem só de coisas boas vive uma manequim. «Para quem está de fora, parece que passamos a vida apenas a desfilar com umas roupitas e já está! Mas também sofremos um bocado». Não são raras as vezes que passa 20 horas seguidas no interior de um armazém sem ver a luz do dia, em sessões fotográficas de fato de banho em pleno Inverno ou carregada de roupa sob um sol abrasador, prestes a desmaiar. Sempre com um ar sorridente». Muitas das vezes, com clientes chatos a pressionar e a gritar: «Descontrai! Estás muito retraída! Mexe-te!» O esforço compensa? «Sem dúvida. Uma manequim ganha mais dinheiro num só trabalho do que a maioria das pessoas no final do mês», revela Esmeralda.


Como é teimosa, recusava-se a fazer anúncios para televisão. «Tenho pouca paciência para estar quatro a cinco horas ao lado de centenas de manequins à espera, para fazer um casting de apenas dois minutos.» Recentemente abriu uma excepção e foi premiada. «Fui logo escolhida para um anúncio da Frisumo, em que vou interpretar o papel de professora.» Para se manter em forma, Esmeralda pratica um pouco de ginástica e pouco mais. «Não faço nenhuma dieta rigorosa. Sou naturalmente magra. Posso comer tudo e mais alguma coisa, sem quaisquer problemas», garante. Não é de fazer inveja às comuns mortais? Quando tem tempo para respirar, dedica-se de corpo e alma ao namorado. «Ele, por vezes, tem um pouco de ciúmes por estar rodeada de tanta gente alta e bonita.» Mas nada que não se resolva com uma sessão de beijos e carinhos.




B.I.


Idade: 22 anos


Signo: Aquário


Altura: 1,77 m


Medidas: 85-61-89


Olhos: Castanhos


Cabelo: Castanho escuro



Indispensáveis


O sol


Namorado


A cama


Doze horas dormidas

Dispensáveis


Fome


Noites mal dormidas


Hipocrisia
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