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Correio da Manhã

Cultura
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A caminho do Sudoeste

Aluga-se T2’ em condomínio fechado de tendas. Mais à frente, a turma dos seis que dizem ser de Guimarães mas que, nas imediações das suas barracas, têm uma placa, estrategicamente arrancada da estrada, com direito a plano de acção, indicando a localidade de Taipas.
1 de Agosto de 2007 às 00:00
No recinto que vai acolher os concertos, ultimam-se os preparativos. No campismo, descansa-se à espera da música
No recinto que vai acolher os concertos, ultimam-se os preparativos. No campismo, descansa-se à espera da música FOTO: José Manuel Simões
Ao lado, os da Rua de São Gens, no Porto, os de Queijas, que explicaram ao CM que “agora já sabe onde fica a nossa terra, quer no mapa quer cá dentro”, enquanto serviam mais uma tampa de absinto preto intercalada com outra de vodka pura “que, juntas, são capazes de deitar qualquer homem abaixo”.
Tinham, numa dessas madrugadas de folia, tirado a placa que saudava os visitantes que chegavam às suas “bandas do Estádio Nacional”, e confirmam que estão aqui “mais pelo convívio do que por qualquer outra coisa”.
Aliás, de acordo com uma sondagem realizada durante as últimas edições do Sudoeste – a 11.ª arranca amanhã na Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar, – 68 por cento dos festivaleiros vêm ao maior festival de Verão pelo festim, “pelo ambiente”, e não pela música.
Como disse ao CM Luís Montez, da organização, a Música no Coração, “na herdade cada um usa a sua liberdade como quer, como gosta e como pode. Estão todos completamente à vontade”.
LOUCURAS
Este ano os bares abriram mais cedo, um restaurante foi estrategicamente instalado no centro do campismo onde se estima estavam ontem cerca de 12 mil pessoas instaladas.
Márcio Oliveira, de Ovar, que já vem ao Sudoeste desde a segunda edição, está acompanhado por um grupo de conterrâneos, tendo vindo mais cedo para se instalarem “precisamente no mesmo lugar”. Com eles trouxeram martelo, pregos, serrotes e machados, fizeram uma cobertura de eucaliptos digna de registo para a ‘casa’ onde vão “acontecer todas as loucuras”.
Os de Queijas, que tiraram a placa do seu local de origem “numa noite de grande festa”, adormeceram ontem numa esplanada de um bar da Zambujeira e foram atacados “pela dona que os pintou”. “A um de nós escreveu nas costas: eu sou muito macho e sexy”, contaram ao CM.
AMIGOS DE OCASIÃO
Entre o arvoredo mais cerrado do parque de campismo encontra-se mais uma placa indicando a origem dos ocupantes, “ideia de um idiota de um nosso colega”, segundo as palavras de André, homem com jeito e sotaque do Norte. Trouxeram a placa na carrinha, pregaram o alinhamento das bandas no pinheiro mas só tencionam ver dois ou três concertos – Manu Chao e I’m From Barcelona. Reclamam que se vêem “dez gajos a ocupar o lugar de 40”, mas a organização do festival garantiu ao CM que, se faltar espaço, “os seguranças terão que abrir mais”. Dos outros anos não têm recordações, “porque já se esqueceram”, mas lembram que fizeram grandes amigos que nunca mais tornaram a ver.
ADRENALINA
Esta bicicleta-comboio com guiador está estacionada na linha à espera do próximo viajante que vai dar aos pedais até embater contra um monte de pneus que travam a velocidade.
HOMENAGEM
Numa louvável homenagem à organização do festival, um grupo de amigos plantou um carvalho perto do canal e do local onde, em 2006, Ana Isabel Gaspar morreu, vítima de um aneurisma.
AS RAZÕES
"SENTIR A LIBERDADE" Jorge Calheiros, Estudante 9.º ano
“Sinceramente, o que me traz aqui é sentir a liberdade. Podemos beber álcool e fumar sem ninguém nos chatear. Espero conseguir ver Sam the Kid, Saian Supa Crew, Groove Armada e The Streets, só que, parece, que actuam ao mesmo tempo. Eles puseram mal o cartaz.”
"SOU VIRGEM NISTO" Jorge Mexia, Estudante pré-universitário
“É a primeira vez que venho ao Sudoeste, sou virgem nisto. Espero muita farra, festa, estar com os amigos, rir. Também acho que há música aqui. Somos muitos e vamos instalar-nos no campismo.”
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