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Correio da Manhã

Cultura
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‘A Dor’ de Marguerite Duras chega a Lisboa pela mão de Patrice Chéreau

Marguerite Duras manteve um diário durante a Segunda Guerra Mundial. O marido, Robert Antelme, estava num campo de concentração. Em Abril de 1945, quando se dá a libertação, a escritora não sabe se ele está vivo ou morto. Quase 40 anos depois, pega nesses escritos e faz publicar ‘A Dor’, relato de um sofrimento (quase) insuportável, que o encenador francês Patrice Chéreau levou à cena e está a apresentar desde 2008. No Teatro Nacional D. Maria II de 18 a 20 de Junho, este é o primeiro monólogo na carreira da actriz Dominique Blanc e valeu-lhe este ano o Prémio Prémio Molière para Melhor Interpretação.
17 de Junho de 2010 às 21:04
Dominique Blanc diz que não procurou imitar Marguerite Duras mas sim fazer o retrato de uma mulher que espera
Dominique Blanc diz que não procurou imitar Marguerite Duras mas sim fazer o retrato de uma mulher que espera FOTO: Ros Ribas

Em cena, apenas uma mesa e uma cadeira. A actriz fetiche de Patrice Chéreau não precisa de mais nada. Segundo explicou (em mesa redonda na FNAC de Paris Montparnasse, em Setembro de 2009) este espectáculo foi concebido com a maior simplicidade, para que pudesse apresentar-se em todo o lado. 

Tendo iniciado o processo de trabalho em Junho de 2008, Dominique Blanc diz que Patrice Chéreau lhe pediu para improvisar em torno de uma situação de espera. “Eu experimentava coisas e o Patrice tirava fotografias. Fiquei surpreendida e perguntei-lhe porque as fazia. Ele respondeu que estava a experimentar algo de novo. Que tinha mudado de método.”

Só depois começou a decorar um texto que não foi escrito para a cena – o que viria a revelar-se mais complicado do que previra. “É mais difícil decorar Marguerite Duras do que Jean Racine”, garante a actriz. “A escrita da Duras parece muito simples mas é, na verdade, bastante sofisticada e tive de recorrer à ajuda de outra pessoa para decorar ‘A Dor’.” O resultado, conta, “é o retrato de uma mulher que espera”.

Na nota de intenção sobre o espectáculo, o encenador francês – também conhecido como realizador de cinema – explica que este projecto surge da sua vontade de trabalhar com Dominique Blanc e de enfrentar “este texto terrível”. Diz ainda que lhe interessava recordar a Resistência, a Libertação e os campos de concentração. “O horror da espera, o esplendor da sua ressurreição (...) a esperança louca. Transmitir tudo isto, humildemente, aos espectadores.” 

O espectáculo, uma produção da agência Les Visiteurs du Soir, e cuja encenação é partilhada com Thierry Thieû Niang, é para ver sexta e sábado às 21h30 e no domingo às 16h00. Tem legendas em português e destina-se a maiores de 12 anos.

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