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Correio da Manhã

Cultura
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A DOR SEGUNDO TONY

Sentado à mesa, com o olhar distante e visivelmente carregado de dor, Tony Carreira mexe e remexe, sem apetite, num prato de massa previamente aquecido no micro-ondas, pensando num amor perdido, quiçá, para sempre. É verdade que a cena pode não parecer a mais romântica, mas a música que a acompanha é de fazer chorar as pedras da calçada, como de resto qualquer canção com a marca Tony Carreira.
8 de Outubro de 2003 às 00:00
A DOR SEGUNDO TONY
A DOR SEGUNDO TONY FOTO: Jorge Paula
O cantor começou ontem a gravar em sua casa, na Charneca da Caparica, o "videoclip" do tema "Quem Esqueceu Não Chora", uma das quatro canções inéditas incluídas no álbum "Ao Vivo no Pavilhão Atlântico", gravado e editado este ano e que em 15 dias atingiu a marca da dupla platina, qualquer coisa como 80 mil discos vendidos.
Produzido por José Pinheiro, que já tinha assinado o vídeo "Se Acordo e Tu Não Estás", o novo filme reflecte o dia triste de quem perdeu uma grande paixão e recebeu em troca o desprezo e a indiferença. "É mais um tema em que canto o amor, aquilo que acho que faço melhor", diz Tony Carreira, para quem o papel de actor está longe de lhe servir. "Acho que não tenho jeito para representar. Nos últimos vídeos, por exemplo, tinha feito questão de não o fazer", confessa.
Gravado em diversas divisões da própria casa do cantor, o vídeo deverá ficar pronto numa semana e estrear-se dia 18 deste mês no programa de música da RTP 1, "Top ".
A viver num verdadeiro estado de graça, Tony Carreira considera que este foi o ano mais importante da sua carreira, não só pelas conquistas internacionais (ver caixa) como sobretudo as nacionais. "Nesta digressão esgotei todos os Multiusos onde actuei, de Lisboa a Guimarães", diz. Para o futuro, dois desejos: "gravar um disco acústico e outro com uma orquestra sinfónica".
100 MIL DISCOS EM FRANÇA
Com um contrato recém-assinado com a Sony Music francesa, convite que lhe foi dirigido por um conceituado produtor francês que o viu a actuar em 2002 no Olympia, em Paris, Tony Carreira é um dos artistas portugueses mais queridos em França. De tal forma que quase nem precisa de promoção. O seu primeiro disco editado por lá, já este ano, "Passionita Lolita" vendeu nada mais do que 100 mil cópias. "Tenho uma relação muito especial com França. Afinal de contas vivi lá durante 25 anos", confessa.
É verdade que o seu público tem sido constituído maioritariamente por imigrantes mas parece que as coisas começam a mudar: "Até 2003 o meu público era quase todo português mas hoje em dia já recebo muitas cartas de fãs franceses".
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