Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura

A festa dos toiros é uma festa de gestos

A Festa de Toiros tem vivido (e sobrevivido...) ao longo das muitas décadas (e dos séculos) por motivos que se prendem com as suas inesgotáveis virtudes. Só assim a sua sublime mensagem tem passado e tem conseguido conquistar milhões de pessoas que, muitas vezes, e talvez a níveis do subconsciente, apreendem as coisas taurinas como algo que lhes diz muito ao longo dos tempos.
8 de Junho de 2005 às 00:00
A festa dos toiros é uma festa de gestos
A festa dos toiros é uma festa de gestos FOTO: João Trigueiros
Os gestos que a Festa tem preservado são ‘pequenos nadas’ que, no entanto, em mundo de inversão (e ausência) de valores fundamentais, assumem valor de referência e papel preponderante na defesa e promoção da Tauromaquia.
O respeito e a solidariedade são dois valores bem patentes. O primeiro revela-se, por exemplo, nos cumprimentos e pedidos de permissão diante de Autoridade que dirige. Não é sobrevivência. É disciplina formal, respeito pelo respeito...
A solidariedade demonstra-se em inúmeras fases das lides, no seio das quais nem a concorrência, nem as rivalidades, nem as incompatibilidades extra-praça (...) impedem que todos comunguem com todos e todos estejam ao ‘quite’ de todos, assim como quem jamais seria capaz de recusar-se a salvar o próximo.
Mas há mais. Entre outros, os gestos que definem que a grandeza dos homens enriquece na justa medida da sua simplicidade. São gestos simples, disponibilidade espontânea e emoção sincera que ajudam a que os homens sejam maiores quando não tem ser pequenos...
Figuras
No passado sábado, em Vila Franca de Xira, a solidariedade aos artistas foi outro valor presente, num Festival que visava fins beneficentes. Alguns dos maiores toureiros de sempre arriscaram-se (porque tourear é sempre um risco) e só do público e aficionados (...) se sentiu uma falta estranha (ou talvez não...), mesmo sendo a receita a favor de crianças com cancro. Agora, há muitos que choram por não ter ido!
E perderam muitas coisas boas. Entre elas, os gestos de ‘toreria’ de ‘velhos senhores das arenas’ (Mário Coelho, Ortega Cano e ‘Espartaco’) que puseram o público de pé com a sua entrega, a sua paixão, o seu sabor ‘maestro’!
No final, quando o público isolava Mário Coelho, em tarde de ‘bodas de ouro’ de toureio, para no centro da arena o despedir com especial ovação, eis que Ortega e ‘Espartaco’ correram para ele para o levantar em ombros!!! Foram então ajudados (outro gesto enorme!) pelo bandarilheiro Dário Venâncio, que assumiu no homenageado.
A foto fala por si. Ortega Cano e ‘Espartaco’, dois matadores de historial fabuloso em todo o Mundo, souberam ter a humilde riqueza taurina de conferir àquela saída em ombros um significado maior. Que já era grande por também ter ali Dário Venâncio, um bandarilheiro dos eleitos, uma classe que Mário sempre respeitou e nunca renegou!
Gestos sublimes que há que entender e sentir!
Ver comentários