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Correio da Manhã

Cultura
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A Fórmula da Felicidade

Na sociedade judaico-cristã-islâmica contemporânea só dispomos de praticamente uma opção: a monogamia. Será que a civilização se desenvolveu durante mais de 10.000 anos com tantas alternativas de governo, de economia, de religião, de filosofia, de tecnologia, mas não conseguiu descobrir outra forma de nos relacionarmos? A fórmula mágica da felicidade não estará no respeito pela diversidade?
20 de Março de 2006 às 00:00
A felicidade passa por respeitarmos as diversas opções de relacionamento
A felicidade passa por respeitarmos as diversas opções de relacionamento
Claro que ao longo de 10.000 anos de Civilização outras alternativas de relacionamento foram encontradas. Muitas das quais foram praticadas em diferentes culturas ao longo destes milhares de anos. O problema é que quando uma cultura adopta determinado modelo, exige que todos os demais o acatem, desprezando o facto inegável de que cada ser humano tem as suas necessidade e limitações.
Provavelmente, no paleolítico o homem vivia em bandos com a supremacia do macho alfa sobre os demais membros do seu clã. Seguindo os exemplos de vários tipos de mamíferos, é possível que esse macho dominante ficasse com o maior número de fêmeas que conseguisse administrar, cabendo as demais ao resto do bando.
Nesse período, o Ser Humano tinha um comportamento bastante primitivo, o qual permitia o domínio pela força, como as demais bestas. Mais tarde, com os primórdios da Civilização, surgiram formas diversificadas de relacionamento. Surgiram os dois grandes troncos, matriarcalismo e o patriarcalismo. Dentro deles, os modelos de casamento: monogamia, poligamia, poliandria, etc.
Monogamia
Originalmente, a monogamia foi uma boa ideia. Com ela, equilibravam-se numericamente as populações masculina e feminina, evitando confrontos entre os homens que ficassem sem parceiras. A monogamia ainda oferecia vantagens únicas para aquele período: evitavam-se as doenças sexualmente transmissíveis, para as quais não havia cura, e garantia-se a sucessão tanto genética como de bens hierárquicos. Era mesmo uma ideia genial. Tão genial que durou milénios.
No entanto, o Mundo mudou abruptamente nos últimos anos. Com todas as metamorfoses tecnológicas, sociais, culturais e económicas seria estultícia querer que as pessoas prosseguissem com um modelo de casamento feudal.
Por outro lado, se todas essas revoluções ocorreram no mundo num lapso tão curto, o nosso psiquismo precisa de mais tempo para se adaptar. O que fazer então?
A fórmula mágica da felicidade talvez esteja em respeitarmos a diversidade. Assim como respeitamos a diversidade religiosa e a diversidade de preferências sexuais e de formas de relacionamento. Num momento histórico em que mesmo sociedades conservadoras acatam os casamentos homossexuais, é um privilégio do cidadão levantar a questão do reconhecimento dos modelos individualizados de relacionamento afectivo.
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