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Correio da Manhã

Cultura

A honra dos bandarilheiros

Os bandarilheiros, também conhecidos por peões de brega ou subalternos, constituem em todos os países de realidade taurina uma verdadeira classe profissional dominante, reflectindo-se a sua força nas mais diversas ocasiões, nomeadamente a nível sindical.
2 de Abril de 2008 às 00:30
Bandarilheiro

Em Portugal, os bandarilheiros são o maior número de profissionais tauromáquicos, mas a tal força de classe apenas a espaços se tem afirmado como tal, especificamente no seio do Sindicato Nacional dos Toureiros e do Fundo de Assistência dos mesmos. Várias têm sido as ocasiões em que maioritariamente respondem à chamada para presença nas assembleias ou para assumir cargos directivos, bem como algumas tentativas de pressão junto das entidades oficiais.

Mas, em abono da verdade, a sua expressão e influência no ambiente taurino português estão aquém do desejável. Se, por um lado, conseguem impor melhores honorários para a sua actividade nas arenas, por outro, não conseguem, nos tempos que correm, assumir a sua condição de importância para a festa de toiros, na mesma medida que já foi outrora e que ainda é lá fora...

Os actuais bandarilheiros portugueses são, na sua maioria, gente jovem. Uns já cá andam há alguns anos, outros estão chegando. Mas nem uns nem outros conseguiram ainda o estatuto de grandes figuras dos bandarilheiros mais antigos, alguns já retirados.

No passado fim-de-semana muito pouco público acorreu à praça do Sobral de Monte Agraço para assistir ao Festival dos Bandarilheiros, no qual alguns eram os 'matadores' de turno e outro (Brito Paes) era o 'cavaleiro', que, alias, assinou luzida actuação.

O veterano Ricardo Relvas, Pedro Gonçalves, ‘Juca’, ‘China’ e Fábio Machado lidaram exemplares de várias ganadarias, tendo os forcados de Alenquer pegado o lidado a cavalo.

Que bonito foi ver o sentimento de Ricardo Relvas, a raça e os detalhes de Pedro Gonçalves, a entrega e a capacidade de Juca (lidou um toiro de Pinto Barreiros, cerca de 500 quilos), a profundidade e elegância de China e a toureria de Fábio Machado!

Ficou ali patente a honra daqueles bandarilheiros, porque a arena é o local mais próprio para que as honras se definam e os sentimentos se exprimam. É urgente que todos os bandarilheiros deste País se sintam toureiros de verdade, mesmo quando se vistam de seda e prata. Que não se esqueçam de que toureiro sem castanheta na cabeça não é toureiro... E que um bandarilheiro serve para coadjuvar as lides, a pé ou a cavalo, cobrando seus honorários, mas sem abdicarem da sua dignidade, isto é, não deixando de ser toureiro apaixonado pela festa e passando a ser um simples empregado para cumprir as mais diversas tarefas que não são de toureiro. Voltaremos a este assunto...

SÁBADO

Vila Franca de Xira e a vila da Cuba levam a efeito, respectivamente, um Festival e uma corrida. Dois cartéis de grande interesse e expectativa para os aficionados.

DOMINGO

Montijo e Pernes (Chã de Cima, Santarém) têm corrida e Festival, respectivamente, sendo que em Pernes a festa de toiros vai ajudando à construção da nova Igreja.

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