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Correio da Manhã

Cultura
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A magia delirante para lá do visível

O Circo Invisível, uma criação e interpretação do casal Jean-Baptiste Thierré e Victoria Chaplin (uma das filhas de lendário Charlot), apresenta-se, pela primeira vez em Portugal, no Centro Cultural de Belém (CCB), onde permanecerá em cena até ao próximo sábado.
10 de Março de 2005 às 00:00
Trata-se de um trabalho com apenas dois artistas em cena, coelhos, pombos e gansos, muitas malas que se abrem e fecham, uma panóplia de adereços coloridos (todos muito elásticos e mutantes) e sem qualquer cenografia… mas, seguramente, com alguns profissionais muito competentes e rigorosos na retaguarda.
SIMPLES MAS ENÉRGICO
Em boa verdade, o espectáculo, que parece muito simples, exige dos dois ‘performers’ uma enorme energia e uma constante mudança de fatos e adereços, num ritmo aparentemente sereno, surgindo número após número sem qualquer interrupção ou quebra.
A maioria deles são números de comédia – Thierré com a sua longa cabeleira branca e feições a lembrar o comediante britânico Benny Hill é bastante divertido – complementados com ilusionismo, malabarismo e até umas passeatas numa corda bamba.
Além de habilidades circences, mais ou menos conhecidas – tendo sempre, por fundo, música de violoncelo ou outra relativamente calma e discreta – objectos gigantes, esculturas móveis feitas de chapéus de sol orientais, panos que se transformam em ‘animais’ ou seres ‘humanos’, concertos com campainhas ou copos de cristal, bolas de sabão que rebentam com sons, a voz de Edith Piaf em concerto, há de tudo num circo delirante e carinhoso em que o velho se transforma em novo.
Em algumas situações, o espectáculo sugere ideias meio ‘kafkianas’, outras vezes passa para uma vertente mais poética, porém, apelando sempre aos sentidos e a uma certa ingenuidade que jamais deveria morrer mesmo quando, há muito, se passou a meninice.
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