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Correio da Manhã

Cultura
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A medalha com o ÔM

A medalha com o ÔM é um distintivo do yôgin. No artigo desta semana, fique a saber onde o Mestre DeRose encontrou o ÔM característico do SwáSthya Yôga.
28 de Março de 2005 às 00:00
Medalha com o ÔM
Medalha com o ÔM
Um dia sonhei com o meu Mestre oferecendo-me um objecto carregado de força ancestral, algo que se materializara no meio de um torvelinho de luz dourada na palma da sua mão, bem diante dos meus olhos. Quando a névoa de luz se dissipou e pude ver melhor, era uma medalha muito bonita, com aparência bem antiga e gasta pelo tempo, detentora de uma magnificência e dignidade tão evidentes que saltavam aos olhos. No centro, pude reconhecer o ÔM em sânscrito (dêvanágri), símbolo universal do Yôga.
Foi apenas um sonho, sem nenhuma pretensão a precognição. Mas um sonho nítido e forte, cuja lembrança permaneceu clara na minha memória por muito tempo.
Passaram-se os anos. Fui várias vezes à Índia. Nos Himalaias, frequentei um mosteiro muito conceituado, onde tive aulas de várias modalidades de Yôga. Lá havia uma biblioteca com obras raras e preciosas, algumas muito antigas. Foi remexendo num desses livros que encontrei o ÔM com um traçado que me fascinou. Era esteticamente superior aos que habitualmente aparecem na maior parte dos livros de Yôga. Havia uma harmonia e equilíbrio impressionantes. Deixei-me viajar por dentro de suas linhas de força e entrei em meditação profunda enquanto o contemplava.
Terminada a experiência, eu estava arrebatado por esse símbolo incrivelmente forte. Não resisti e fotografei-o. Chegando ao Brasil, mandei fotolitar e ampliar o ÔM. O resultado foi surpreendente. As pequenas irregularidades da impressão antiga e do papel rústico ficaram bem pronunciadas. O contorno do Ômkára adquiriu uma aparência ainda mais ancestral e desgastada pelo tempo. Nenhum desenhista ocidental ou moderno tocou nesse símbolo. Ele mantém-se original como a orientação do nosso Yôga.
Ficou tão bonito que os meus alunos e demais instrutores, todos, queriam uma cópia. Começaram a surgir medalhas de ouro mandadas fazer pelos alunos, tentando imitar esse nobilíssimo ÔM mas, evidentemente, os ourives não conseguiam e, com frequência, ocorriam erros graves no traçado ou nas proporções. Tais incorrecções eram imperceptíveis aos leigos, não obstante, capazes de alterar suas características.
Fora isso, pelo facto de o ouro ser metal caro, faziam-no recortado por medida de economia. Ora, era comum que a medalha virasse, ficando com a imagem invertida, oferecendo à percepção visual do observador uma antítese do yantra ÔM! Como o poder dos símbolos traduz-se pela leitura inconsciente dos arquétipos codificados em sectores obscuros da mente humana, essa inversão gerava o oposto do que os portadores daquelas medalhas esperavam. Não sei se por coincidência, mas a maioria das pessoas que utilizavam esse ÔM que virava e ficava invertido, terminavam por dar sinais de falta de sintonia para connosco.
Então achei mais prudente assumir a responsabilidade de mandar cunhar as medalhas, na mesma liga de metal que costuma ser utilizada no artesanato indiano (cobre, bronze e estanho), com o ÔM forte que havia trazido dos Himalaias, e obedecendo ao ‘design’ da medalha com a qual tinha sonhado anos antes.
Quando a primeira medalha ficou pronta, emocionou a todos pela sua superlativa beleza, harmonia, sensibilidade e força. Para começar, era uma obra de arte. Nunca antes eu vira uma medalha com o ÔM tão bonita e parte alguma do mundo, nem na própria Índia.
Texto retirado do livro Yôga Mitos e Verdade de Mestre DeRose
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