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A melhor das poesias

O‘El Poema Continuo’, a tradução castelhana de ‘Ou o Poema Contínuo’, do poeta português Herberto Helder, é um dos “melhores livros de poesia publicados em Espanha” em 2006, na avaliação de dois críticos literários do jornal ‘El Pais’.

29 de dezembro de 2006 às 00:00

“Um nome essencial da modernidade poética portuguesa é o de Herberto Helder”, autor de uma “poesia difícil, mas não ilegível e menos ainda de um hermetismo insolúvel”, escreve no jornal madrileno o crítico Antonio Ortega. São “notas sustenidas de uma partitura que reclama o espaço e o som pleno da totalidade, uma matéria-prima de sonhos, artérias, sensações e significados”, qualifica Ortega.

Na opinião do crítico, Herberto Helder reúne nesta “súmula poética” a “mágica violência da sua escrita, essa profundidade a que muitos são incapazes de chegar”.

Relativamente à tradução, de uma “musical fidelidade”, de Jesus Munárriz, Ortega observa ser “impossível não sair [da leitura do livro] com um sentimento de inquietude, não ver as palavras, quase tocá-las”.

Nascido no Funchal em 1930, Herberto Helder é autor de uma vasta obra poética iniciada em 1958 com ‘O Amor em Visita’ e em que se destacam títulos como ‘O Bebedor Nocturno’, ‘Vocação animal’, ‘Cobra’, ‘Photomaton & Vox’ e ‘A Cabeça entre as Mãos’. O seu até agora único livro de contos, ‘Os Passos em Volta’, é por muitos considerado um dos mais belos já escritos em língua portuguesa.

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