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Correio da Manhã

Cultura
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A MÚSICA DELA É FOGO QUE ARDE PARA SE VER

Quando, no dia 5 de Julho, Portugal receber a presença de Björk no Festival Optimus.hype@meco, já a cantora islandesa terá cumprido cerca de metade da sua actual digressão e "estoirado" umas largas centenas de quilos de material pirotécnico.
3 de Junho de 2003 às 00:00
Um dos visuais adoptados por Björk nesta digressão
Um dos visuais adoptados por Björk nesta digressão FOTO: Emilio Naranjo (Epa)
Aliás, quem julga que um espectáculo de Björk tem de ser necessariamente intimista, é provável que estranhe a mais recente digressão da cantora na sua versão "outdoor", como aconteceu domingo passado, no Auditório Parque Juan Carlos I, no Campo das Nações, em Madrid.
É verdade que há coisas que permanecem exactamente iguais como as expressões, a voz anjo-demónio, os passos meio inocentes ou o visual-que-não-lembra-ao-diabo, mas, neste momento, um espectáculo de Björk é essencialmente uma extravagância (no bom sentido) de cor, luz, som e imagens (filmes incluídos).
Não é por acaso que o jornal "The Guardian" escreveu recentemente que um concerto de Björk tem mais de invenção rítmica do que o resto da música electrónica toda junta.
O certo é que neste momento dificilmente existirá experiência mais intensa do que assistir a um concerto de Björk: pela encenação, pela musicalidade, pelos efeitos pirotécnicos, mas, no essencial, pela forma como as suas canções são apresentadas e transformadas ora em pequenas pérolas de inocência ora em autênticos murros no estômago.
ARTE PURA
Domingo à noite, na capital espanhola, a cantora de "Post" ofereceu o quarto espectáculo da actual digressão numa mostra de arte pura, intensamente humana, visualmente bela, a que Portugal certamente irá assistir de boca aberta, de mãos e pés atados.
É verdade que Björk já é por si só um monumento e que isso também ajuda à festa, mas nunca é de mais referir que os temas por si criados e recriados são verdadeiros objectos de culto que o público canta ou sussurra, às vezes como uma prece, casos de "Hunter", "Hyper-Ballad" ou "You've Been Flirting Again" (por cá todos sabemos que a devoção é idêntica).
E neste novo espectáculo as canções de Björk funcionam, mais do que nunca, como autênticas armas de arremesso, capazes de nos atirar ao chão e nos deixar a admirar qualquer coisa para lá das estrelas. E ao ar livre este efeito ganha ainda mais consistência.
Ele há chamas, fogo de artifício, jogos de som e cor como só Björk, em boa companhia, poderia fazer. Créditos mais do que suficentes para transformarem o seu regresso ao nosso País numa verdadeira "aparição". E seja feita a sua vontade!
DA 'RÉGIE' PARA O PALCO
Numa prova de profissionalismo e falta de vedetismos, Björk passou a tarde de domingo a fazer o ensaio de som a partir da "régie", algo raro em espectáculos desta dimensão. A cantora, porém, trocou de palco com os técnicos e foi ela para junto da mesa dar ordens para o palco. Talvez por isso mesmo, quando subiu ao palco do Auditório Juan Carlos I (imagine- -se um pedaço do estádio de Alvalade enfiado no chão, num local muito parecido com o nosso Parque das Nações mas com mais relvado e menos betão), Björk era uma mulher visivelmente segura.
Na Praia do Meco, o espectáculo deverá ser montado de forma muito semelhante, cabendo às corporações de bombeiros um papel essencial. É que a encenação usa e abusa do fogo de artifício e os riscos que daí advêm não poderão ser esquecidos, como garantiu ao CM Luís Montez da promotora Música no Coração. Por isso mesmo, um especialista que tem trabalhado com Björk virá também atempadamente a Lisboa para analisar o terreno do Meco. Fora isso, tudo será espectáculo. A cantora fazer-se-à acompanhar de um sexteto de cordas, do duo de electrónica Matmos e da harpista Zeena Parkins, e tal, como em Madrid, deverá passear por todos os seus trabalhos, de "Debut", o disco de estreia, a "Post", passando por "Homogenic" e "Vespertine".
ALINHAMENTO
Tal como nos espectáculos já realizados, no âmbito desta digressão, em Londres, Valência e Madrid, os temas que a cantora interpretará na sua actuação no festival do Meco deverão ser os seguintes:
- "Pagan Poetry"
- "Five Years"
- "Hunter"
- "Desired Constellation"
- "All Is Full Of Love"
- "Joga"
- "Generous Palmstroke"
- "Nameless"
- "An Echo A Stain"
- "You've Been Flirting Again"
- "Isobel"
- "Heirloom"
- "Nature Is Ancient"
- "Hyper-Ballad"
- "It's In Our Hands"
- "Pluto"
Encore
- "Bachelorette"
- "Human Behaviour"
Saliente-se que, nos concertos que deu a 24 e 28 de Maio último na capital britânica, Björk inclui ainda no alinhamento as canções "Scary" e "Crave".
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