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Correio da Manhã

Cultura

A NOVA MUSA DE HOLLYWOOD

Receber uma nomeação para os Globos de Ouro aos 19 anos é um admirável sinal de reconhecimento de talento precoce. Duas, é um feito incrível e inédito conseguido este ano pela actriz norte-americana Scarlett Johansson, dona de uma postura e de um estilo de representação clássicos, características que contrastam com a sua juventude e a colocam ao nível das grandes divas de Hollywood do passado.
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
 Em Veneza ao lado de Bill Murray e Sofia Coppola
Em Veneza ao lado de Bill Murray e Sofia Coppola FOTO: Tony Gentile/Reuters
O seu talento, porém, não conheceu as luzes da ribalta da noite para o dia. Scarlett estreou-se aos nove anos em 'North', drama familiar de Rob Reiner e, desde então, nunca mais abandonou a Sétima Arte, tendo inclusivamente trabalhado com os irmãos Coen no filme 'The Man Who Wasn't There' (2001) e ao lado de Robert Redford em 'O Encantador de Cavalos' (1998).
Mas 2003 foi o ano em que a indústria cinematográfica sucumbiu definitivamente ao seu feitiço. A actriz conquistou uma dupla nomeação para os Globos de Ouro (troféus atribuídos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood) pelos desempenhos em 'Lost Translation', de Sofia Coppola - um dos favoritos à vitória na categoria de melhor filme - e 'Rapariga Com Brinco de Pérola' (estreia em Portugal a 5 de Fevereiro), de Peter Webber.
Perante este cenário, o futuro adivinha-se brilhante para Johansson. E mesmo que volte para casa de mãos vazias após a 61ª gala de entrega dos Globos de Ouro, a realizar no próximo dia 25, a actriz tem pelo menos o direito de sentir que o mundo já está a seus pés.
PROBLEMAS DE ADAPTAÇÃO
Scarlett Johansson mostra uma maturidade de interpretação invulgar e a prova são os papéis que desempenha nestes dois filmes, que não poderiam ser mais distintos.
Em 'Rapariga Com Brinco de Pérola', um drama passado no séc. XVII, veste a pele de uma empregada que inspirou o pintor holandês Vermeer a criar uma das suas obras mais famosas. Já na comédia 'Lost in Translation', a 'novata' interpreta uma esposa negligenciada que se torna amiga íntima de um actor falhado de meia-idade (Bill Murray).
A participação no terceiro filme de Sofia Coppola, foi aceite após uma conversa com a realizadora: "Disse-me que iria contracenar com Bill Murray e que as filmagens decorreriam em Tóquio, duas coisas muito convidativas", confessou. Mas filmar no Japão também não foi fácil. Scarlett teve alguns problemas de adaptação e chegou mesmo a admitir que, por vezes, se sentiu "tão desorientada" quanto a sua personagem. "Filmávamos uma semana de dia e outra de noite. Além disso, estava hospedada no mesmo hotel onde filmávamos. Era surreal subir as escadas de pijama para ensaiar, por exemplo".
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