Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
7

À (RE)DESCOBERTA DE CARLOS RELVAS

Conhecer o trabalho do grande fotógrafo português Carlos Relvas e avaliar a sua dimensão nacional e mundial são os objectivos da exposição a inaugurar hoje, às 18h30, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.
26 de Junho de 2003 às 00:00
A mostra é uma oportunidade para ver de perto a obra do artista
A mostra é uma oportunidade para ver de perto a obra do artista FOTO: Marta Vitorino
A mostra "Carlos Relvas e a Casa da Fotografia" é o resultado de mais de 15 anos de colaboração entre a Câmara Municipal da Golegã e o Instituto Português de Museus (IPM), em prol da salvaguarda e divulgação da obra do fotógrafo, do seu valioso acervo e incomparável 'atelier'.
"Queremos contribuir para repor Carlos Relvas no lugar que lhe é devido na história da fotografia", disse ao CM José Pessoa, da Divisão de Documentação Fotográfica do IPM, e, juntamente com Vitória Mesquita, comissário da mostra.
"Esta exposição permitirá (re)descobrirmos quem foi Carlos Relvas, entender porque teve a admiração dos grandes fotógrafos europeus do seu tempo mas que, estranhamente, nunca foi devidamente avaliado", referiu o comissário.
Entre 1860 e 1890, Carlos Relvas retratou toda uma época que agora surge em imagens quase desconhecidas, muitas totalmente inéditas.
Além de um rico património fotográfico, Relvas construiu um "estúdio extraordinário, único a nível mundial. É um templo à fotografia, ou melhor, é a casa da fotografia portuguesa", observou José Pessoa.
O 'atelier', projecto do arquitecto Carlos Afonso, causou grande interesse na sociedade portuguesa da época, sobretudo pelo facto inédito de se tratar de um edifício totalmente destinado à fotografia. Construída entre 1872 a 1875, a casa foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1989.
A exposição está dividida em sete núcleos temáticos independentes. O primeiro é dedicado aos auto-retratos e reúne imagens de Carlos Relvas a cavalo, com traje de pastor, amigos e família, entre outros ambientes.
Depois das paisagens, surgem fotografias portuárias do Porto, "tema que lhe era muito caro", segundo o comissário.
O património representa o quarto núcleo. "Carlos Relvas percorreu todo o País e as suas imagens são uma memória dos nossos monumentos nacionais", acrescentou. Os animais foram outro grande tema da sua vida fotográfica, assim como as crianças, as mulheres e os homens, de todas as classes, desde reis a ciganos e mendigos. O último núcleo é constituído por fotografias de género e imagens de várias cidades europeias.
Com esta mostra, Carlos Relvas "regressa" ao antigo palácio do Marquês de Pombal, onde trabalhou dois meses, fotografando 512 espécies para o catálogo da Exposição de Arte Ornamental, editado por si, e que contribuiu para a criação do actual Museu de Arte Antiga.
De magnífica definição, estas imagens reproduzem, ao fim de 119 anos com extraordinária qualidade, originais de obras que já desapareceram e que só existem nas fotografias de Carlos Relvas.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)