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Correio da Manhã

Cultura
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A segunda vida de um fadista

Três meses depois de se ter submetido a uma operação ao coração, João Braga está de volta aos palcos para uma noite de fados ‘De Alma e Coração’.
O espectáculo está marcado para 19 de Fevereiro, no CCB, Lisboa, numa jornada que se reveste de um significado muito especial para o fadista.
1 de Fevereiro de 2006 às 00:00
João Braga afirma-se recuperado e em forma para cantar
João Braga afirma-se recuperado e em forma para cantar FOTO: Natália Ferraz
“É como se fosse uma segunda vida”, disse ao CM João Braga, que, revelou, chegou a receber a extrema unção. “Antes de ir para o bloco operatório chamei o cónego João Seabra para me dar a st.ª unção. Era uma operação com riscos muito complicados”, confessou.
Recuperado e em forma – “ando dez quilómetros por dia, o que não fazia desde os meus 18 anos” –, João Braga fez questão de agendar o seu regresso aos palcos para “exactamente 90 dias depois de ter recebido alta. Foi o que me disse o médico José Fragata. Que podia aguentar duas horas de concerto mais ou menos 90 dias após sair do hospital”.
Em palco, João Braga não tem dúvidas. Vai ser um concerto de muitas emoções: “Cantei sempre assim e agora mais do que nunca.” E deu um exemplo: “A RTP entregou-me a responsabilidade de uma série (‘Fados de Sempre’) e o primeiro fado que cantei foi o ‘Estranha Forma de Vida’, da Amália. Mas só ao quinto ‘take’ é que consegui gravá-lo.”
‘Estranha Forma de Vida’ vai ficar de fora do concerto do CCB, onde João Braga pretende alinhar outros fados “mais ligados comigo”. A acompanhá-lo, revelou, vão estar José Luís Nobre da Costa e Carlos Gonçalves (guitarras), Jaime Santos Júnior (viola) e Joel Pina, no baixo. João Braga promete também surpresas (“novos e veteranos intérpretes do fado”) e ainda “Rão Kyao e o seu percussionista, o Tony de Matos, o Carlos Ramos e o Alfredo Marceneiro, por via de um imitador...”
'TIVE UMA SORTE DESGRAÇADA'
Senhor de um saudável sentido de humor, João Braga recordou para o CM como lidou com a situação: “Um belo dia fui-me deitar e senti um mal-estar imenso. Fui para o hospital (CUF) a queixar-me de um mal-estar gástrico, mas eles diagnosticaram-me um enfarte agudo. Fui logo internado (6 de Novembro, às 03h30) e, no dia seguinte, fizeram-me um cateterismo e deram-me as más notícias: tinha de ser operado, tinha as coronárias entupidas. Fui-me completamente abaixo. Fiquei internado e fui operado dia 14. O bloco era todo verde, fiquei logo muito bem disposto, e tive um anestesista extraordinário, que me levou para uma ilha do Pacífico. E acordei bem. Tive uma sorte desgraçada. Quando tive alta o dr. José Fragata disse-me: ‘retome os seus vícios com moderação... menos o de cantar.”
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