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Correio da Manhã

Cultura
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Adeus a Ennio Morricone, o mestre das bandas sonoras

Italiano morreu esta segunda-feira aos 91 anos, depois de fraturar o fémur numa queda.
Rui Pedro Vieira 7 de Julho de 2020 às 08:45
Ennio Morricone
Ennio Morricone FOTO: Getty Images
Já tinha cinco nomeações para os Óscares e uma estatueta dourada honorária, mas o compositor Ennio Morricone teve de esperar até aos 87 anos para vencer finalmente o prémio da Academia para Melhor Banda Sonora, com a música que fez para ‘Os Oito Odiados’(2015), de Quentin Tarantino. Já com o Óscar nas mãos, no discurso de agradecimento, o italiano sublinhou que "não há uma grande banda sonora sem um grande filme que a inspire".

Ennio Morricone sabia bem do que falava: compôs, ao longo de 60 anos de carreira, mais de 500 partituras para filmes, com destaque para a música dos western spaghetti de Sergio Leone, bem como a dos dramas ‘Era Uma Vez na América’ (1984), ‘A Missão’ (1986) e ‘Cinema Paraíso’ (1988). O músico morreu esta segunda-feira de manhã, numa clínica de Roma, onde estava internado, depois de uma fratura no fémur, ocorrida após uma queda. Tinha 91 anos. "Esteve totalmente lúcido e manteve uma grande dignidade até ao último momento", disse o advogado e amigo Giorgio Assuma.

Considerado o nome mais popular entre os compositores de bandas sonoras para cinema, Morricone, também apelidado de ‘Il Maestro’, vendeu mais de 70 milhões de discos e acumulou um manancial de prémios, que inclui três Grammy, quatro Globos de Ouro, seis BAFTA ou um Leão de Ouro pela carreira.

Nascido e criado em Roma, desde cedo Morricone aprendeu a compor na mesa e não ao piano. Também estudou trompete e música coral. A glória chegou quando compôs a célebre ‘Trilogia dos Dólares’, de Leone, com Clint Eastwood como protagonista. Numa apurada sintonia com a imagem, as vozes, os "uivos de coiotes" e a harmónica audíveis em temas como ‘The Ecstasy of Gold’, de ‘O Bom, o Mau e o Vilão’ (1966), tornaram-se um clássico, com direito a múltiplas versões e homenagens, feitas por artistas e grupos como os Faith No More, Ramones ou Metallica.

Morricone tinha um particular carinho por Portugal e chegou a gravar, em 2003, o álbum ‘Focus’ a meias com Dulce Pontes. A cantora atuou com ele, na última vez que deu um concerto em Lisboa: foi em 2019, na Altice Arena, no âmbito da digressão mundial de despedida.

PERFIL
Ennio Morricone 
Nasceu há 91 anos em Roma, cidade onde sempre viveu. Filho de um trompetista, aprendeu com o pai a ler música. Entrou para o conservatório aos 12 anos e começou a compor para ajudar as finanças da família. A primeira banda sonora que criou foi em 1961, no filme ‘Il Federale’, de Luciano Salce. Compôs não só para cinema como para a TV. Deixa a mulher Maria, com quem casou em 1956, e quatro filhos.
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