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Correio da Manhã

Cultura
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Adoro o Tarantino

Marisa Cruz recebeu ontem o prémio de jovem estrela europeia na iniciativa do European Film Promotion. Antes falou ao CM da experiência, que deseja repetir, embora a televisão e a moda sejam as prioridades do momento.
14 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Adoro o Tarantino
Adoro o Tarantino FOTO: Tobias Schwarz/Reuters
Correio da Manhã – Qual a sensação de estar na Berlinale como ‘Shooting Star’. Deixa-a nervosa?
Marisa Cruz – Sinceramente, não. Estou é muito orgulhosa por participar num festival como o de Berlim, e curiosa para conhecer actores, produtores e realizadores, pois, afinal, foi para isso que vim.
– Este prémio pode influenciar os planos para o futuro ou é apenas algo pontual?
– É algo que está a acontecer, que estou a adorar e que vou guardar para o resto da minha vida, aconteça o que acontecer, faça ou não outro filme. Foi algo que consegui com o meu trabalho e o futuro logo o dirá.
– Qual a memória mais forte que guarda das filmagens?
– Algumas cenas custaram-me muito. Trabalhar noite dentro com chuva e frio, principalmente na cena em que apareço no palheiro com o bebé, custou-me bastante.
– E a nudez, não a incomodou?
– Não tenho qualquer problema com o meu corpo. Tenho uma carreira de manequim de 12 anos, de trabalho com o corpo e com a imagem, por isso, não tenho complexos em mostrá-lo desde que seja na medida certa e com nível, categoria e bom gosto.
– Essa relação com o corpo ajudou-a na representação?
– Sem dúvida, mas também dificulta. Ajuda no à-vontade com as câmaras, com o ambiente de trabalho, mas a moda não é tão interior. No cinema é preciso dar algo de dentro, de emotivo e sentimental à personagem e eu não trazia esse hábito da moda.
– Como se preparou para a personagem?
– Foi um exercício psicológico. O fundamental foi esquecer-me que era a Marisa e ‘vestir a pele’ de ‘Laura’.
– Frequentou algum curso ou ‘workshop’ para actores?
– Não. O curso que tenho foi a experiência que adquiri no filme e acho que não há melhor.
– O que pensa do cinema português?
– Tem pouca divulgação, é pouco apoiado e pouco ousado. Ninguém sai do caminho.
– Se pudesse escolher um realizador para trabalhar quem seria?
– Em termos internacionais, o Tarantino. Gosto muito do seu estilo.
– Que tipo de personagens a atrai?
– Gostei bastante da ‘Laura’ porque fugiu à imagem bem, sempre arranjada, maquilhada e penteada. Gostei de fazer de mulher do campo, descabelada, com as unhas por arranjar. No fundo, algo que me permita ser diferente daquilo que sou ou da imagem que normalmente tenho na televisão ou nos desfiles de moda. Gosto de grandes mudanças. É o maior desafio para um actor.
– Qual o género cinematográfico que prefere?
– Gosto muito de ‘thrillers’, ao estilo de ‘Shining’.
– Vai muito ao cinema?
– Gosto muito de ir mas, ultimamente, não tenho ido.
– Para o futuro, tem preferência por determinado papel ou tipo de filme?
– Não. Estou disponível para ouvir o que me possam propor.
– Profissionalmente, quais são as suas prioridades actuais?
– Tem sido a televisão, mas a moda ainda ocupa grande parte da minha vida. Neste momento, tenho dois programas de televisão [‘Euromilhões’, na TVI, e ‘Os Spa’s de Marisa’, na RTPN]. A TVI abriu-me as portas, está contente com o meu trabalho e não sei o que o futuro me espera lá.
À CAÇA DE JOVENS ESTRELAS
A presença de Marisa Cruz nas ‘Shooting Stars’ deu-lhe a oportunidade contactar com produtores, realizadores e, sobretudo, agentes de ‘casting’. São cerca de 40 os que estão em Berlim à procura de novas estrelas e um dos locais privilegiados para encontrá-las é na iniciativa do European Film Promotion (EFP), já na sua 8.ª edição: este ano são 21 os jovens actores europeus (um por país).
Além disso, a EFP está a tentar criar uma ligação europeia entre os agentes de ‘casting’ para facilitar o conhecimento e acesso aos actores que agora despontam, o que seria mais uma vantagem para a nossa representante.
PERFIL
Marisa Cruz nasceu em África, viveu com a mãe em Londres e com a avó em Viseu mas ainda não tinha atingido a maioridade e já estava instalada em Lisboa por sua conta e risco. Habituada a desafios, faz-lhes frente à medida que eles lhe saem ao caminho... Foi assim com as ‘passerelles’ da moda: de Miss Portugal a uma das preferidas de Fátimas Lopes. E também com a televisão (‘Iô-Iô’, programa infantil, SIC; ‘Euromilhões’, concurso, TVI, e ‘Os SPA’s de Marisa’, lazer, RTPN) e o teatro (‘Portugal, uma Comédia Musical’ e o cinema (‘Kiss Me’), e a tudo tendo chegado quase ao mesmo tempo: o auspicioso ano de 2004.
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