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Correio da Manhã

Cultura
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Adoro ovos mexidos

Solteiro e bom rapaz, cozinhar não é com ele, mas comer sim e tem sempre cúmplices que o acompanham, às vezes, quilómetros por uma boa receita. Cada uma é uma aventura e, com todas juntas, fez um livro (ed. Esfera dos Livros), pretexto perfeito para pôr a conversa em dia com Fernando Mendes.
30 de Março de 2007 às 00:00
Fernando  Mendes confessa que nem é grande cozinheiro
Fernando Mendes confessa que nem é grande cozinheiro FOTO: Natália Ferraz
Os ‘Petiscos’ eleitos pelo actor de ‘O Peso Certo’ (espectáculo itinerante) e apresentador de ‘O Preço Certo’ (concurso televisivo) são acompanhados de pequenas histórias, como a da avó que para o convencer a comer a sopa toda lhe dizia que tinha de chegar ao fundo do prato para ver o Pato Donald... “No fundo do prato dizia junta de freguesia não sei de onde!”, lê-se.
“Fiquem descansados que as receitas não são minhas, mas de restaurantes de norte a sul do País que conheci, sobretudo, com o meu pai. Eram outros tempos e comíamos fora muito menos vezes do que eu como agora, mas também tanto ele como a minha mãe eram excelentes cozinheiros, o que não é o meu caso. Fico-me pelo básico e, dentro do género, adoro e sei fazer arroz branco e ovos mexidos”, contou ao CM, em dia complicado: obras em casa.
Do pai, Vítor Mendes, outro homem de teatro tão grande em tamanho como em talento, herdou o gosto pelos palcos e por arte maior: “A de ser bom pai”, recordou.
“Andava com ele para todo lado mas lembro-me mais é de o acompanhar ao Parque Mayer, onde ele trabalhava à noite, por isso, o momento de família era o do almoço, em que comíamos juntos”, contou.
E de petisco em memória, Fernando Mendes desfiou um rosário de coisas em comum com o pai, cúmplice até no pecado da gula, mas o prazer da mesa e o excesso de peso são tradição em vias de extinção; os seus dois filhos vivem a vigiar o que comem.
“Mas eu tenho cuidados alimentares e saúde vigiada, que o diga o doutor Póvoas, meu médico... Só não é todos os dias. Mas já o surprendi várias vezes, como quando perdi 14 quilos num ápice, mas era só para ver se era capaz! E, depois, são muitas solicitações, as tasquinhas são muitas, os amigos também e os petiscos cada vez mais e melhores”, brincou.
A verdade é que por um bom cabrito já foi de Lisboa a Viseu, mas do que ele não se cansa mesmo é de Osso Buco e de Paella.
Da vida, quer que ela lhe corra bem, assim como ‘O Preço Certo’ e ainda ‘O Peso Certo’. Mais livros não estão contemplados num futuro próximo. Uma biografia, não sendo um plano, é uma possibilidade.
PESSOAL
REVISTA
Estreou-se na revista ‘Reviravolta’, com Eugénio Salvador e Florbela Queiroz, em 1980, o mesmo ano em que perdeu o pai-herói: o actor Vítor Mendes... “Entrei para o teatro por ser filho de quem era”, diz.
TELEVISÃO
A estreia em televisão deu-se em 1984 com ‘Passerelle’, novela que veio dar visibilidade ao talento do actor que a comédia viria a consolidar.
CONSAGRAÇÃO
Em 1988 foi distinguido como ‘Melhor Actor do Ano/Sete’ e com o ‘Prémio Popularidade/Ca-sa da Imprensa’.
FILOSOFIA DE VIDA
“Mais vale um mau dia de praia do que um bom dia de trabalho.”
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