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Correio da Manhã

Cultura
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Afonso Henriques nasceu em Viseu?

Ninguém sabe ao certo onde nasceu D. Afonso Henriques, mas o presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, garante que, se tiver o apoio de um grupo substancial de académicos, vai “reivindicar” para a sua cidade o estatuto de terra natal do primeiro rei português. Definitivamente.
6 de Março de 2007 às 00:00
Várias cidades reclamam ter sido o berço do 1.º rei de Portugal
Várias cidades reclamam ter sido o berço do 1.º rei de Portugal FOTO: D.R.
Não é propriamente uma “luta” aquilo que Fernando Ruas quer inaugurar, como fez questão de frisar ontem em declarações à agência Lusa. Simplesmente, e aproveitando o facto de estar a ser relançado no mercado o livro de Almeida Fernandes intitulado ‘Viseu, Agosto de 1109 – Nasce D. Afonso Henriques’, o autarca quer pôr um ponto final numa questão que se arrasta há muito tempo.
É que nem os estudiosos estão de acordo relativamente a esta questão. Se inicialmente se acreditava piamente que o fundador da nação tinha nascido em Guimarães, nos anos 80 o catedrático Torcato de Sousa aventou que seria Coimbra a cidade que o viu nasceu e, no início da década de 90, mais propriamente em 1993, o historiador Almeida Fernandes veio com uma nova teoria.
Viseu teria sido, afinal, o berço de D. Afonso Henriques, afirmou o estudioso entretanto já falecido, numa obra cuja primeira edição está esgotada e acaba de ser reeditada pela Fundação Maria Seixas (de Viseu).
Esta opinião – que, de resto, é partilhada pelo mediavalista Bernardo Vasconcelos e pelo historiador José Mattoso, que a defendeu na sua biografia de Afonso Henriques (edição do Círculo de Leitores) – está a provocar desagrado em Guimarães.
Nessa cidade que também reclama ter visto nascer o primeiro rei português, a autarquia até está a apelar ao voto dos locais no programa ‘Grandes Portugueses’, da RTP 1, uma vez que na pequena biografia apresentada por Leonor Pinhão se diz que o monarca “nasceu provavelmente em Guimarães, em 1111”.
A jornalista, ‘defensora oficial’ de D. Afonso Henriques, não quer, porém, que a questão seja demasiado empolada. “Até é capaz de ser uma discussão interessante, mas se calhar de resolução impossível...”, disse ao CM, acrescentando que não quis ofender ninguém. “Sei que é uma coisa que as pessoas das respectivas cidades reclamam com orgulho, mas sinceramente não acho a questão assim tão importante... As pessoas nascem onde calha e só podem escolher onde vão morrer. O que importa, sempre, é o que se faz, não onde se nasceu”, conclui.
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