Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
3

Agora sou feliz e sei apreciar o tempo livre

Sandra Bullock, actriz. A ‘namoradinha da América’ está de regresso em mais um papel sério: o da escritora Nelle Harper Lee em ‘Infame’, outro filme sobre a fase em que Truman Capote escreveu ‘A Sangue Frio’.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
Agora sou feliz e sei apreciar o tempo livre
Agora sou feliz e sei apreciar o tempo livre FOTO: Warren Toda, Epa
Correio da Manhã – Como é que uma pessoa tão egocêntrica como Truman Capote poderia ser amigo de Nelle Harper Lee, que até tinha mais sucesso do que ele?
Sandra Bullock – Foi um pouco duro para ele mas conheciam-se desde o infantário... Tinham uma ligação de muita intimidade. Ela era a única pessoa que o conhecia verdadeiramente e ele sabia disso. Mas tinham também muito amor e afecto um pelo outro.
– ‘Infame’ pode também ser encarado como uma espécie de retrato de Nova Iorque nos anos 50. Acha que é possível a actualidade?
– Oxalá pudesse… Oxalá houvesse um estilo como nessa altura. É muito agradável observar a sociedade desse período. Havia uma certa mística, uma protecção, e não a avalancha de informação a que assistimos hoje com a constante violação de privacidade. As estrelas dos estúdios estavam sempre protegidas e a mística perdurava. Hoje, já nada é sagrado; não protegemos aquilo que consideramos sagrado. Estamos preparados para vender tudo.
– A Sandra disse um dia que gostaria de experimentar algo de diferente na sua carreira…
– Eu disse isso?...
– Bom, algo parecido. A ideia seria alargar o leque de propostas…
– Pois, entretanto já fiz de tudo. O que precisava era de parar de trabalhar. Precisava de fugir do trabalho, porque estava a fazer um filme a seguir a outro e não tinha tempo para mim. Era produtora e actriz a tempo inteiro. Por isso, tirei algum tempo e foi nessa altura que ‘Crash - Colisão’ apareceu. Do nada. E não pude resistir. O mesmo se passou com ‘Infame’.
– Continuará a procurar as propostas inesperadas?
– Essas não se procuram. O que vou fazer é deixar de planificar as coisas, porque acaba sempre por aparecer algo melhor.
– Privilegia o tempo livre…
– Absolutamente! Agora sei apreciar bem o que isso é, porque tenho uma vida muito melhor. As minhas prioridades foram alteradas. Para os actores, a espera é sempre dolorosa, porque não sabem o que vão fazer a seguir.
– Isso significa que a escolha dos projectos também foi alterada?
– Hoje, as minhas escolhas são diferentes. Quando uma pessoa se sente realizada numa área aparece o desejo de fazer outra diferente. Experimentamos coisas e alteramos os gostos. Até aquilo que considerava divertido pode já não o ser. Pode ser o tipo de comédia que está errado e não o tipo de humor...
– De onde é exactamente, Sandra?
– Algures entre a Alemanha e Washington. O meu pai é do Alabama e a minha mãe uma cantora de ópera alemã. Por isso viajei muito. Conheço bem a América e a Europa. Mas o engraçado é que não me sinto verdadeiramente presa a um local.
– Gosta de viajar?
– Adoro! E não sou uma turista complicada. Como o faço desde pequena, para mim viajar é uma coisa natural. Só preciso de saber se o passaporte está em ordem. Depois, tanto se me dá se é uma viagem elaborada ou apenas com a mochila às costas, sendo que o campismo não será selvagem, tem de ter casa de banho. Não sou do tipo de ir à mata e encontrar ursos. Esse é o meu limite.
– Aprecia o seu lado de estrela? O facto de não ter de esperar horas para ser servida num restaurante?
– Se me deixassem passar à frente ficaria preocupada. Espero como qualquer outra pessoa, não gosto de furar as filas. A menos que seja uma situação de algum aperto.
– Como avalia o seu trabalho de produtora?
– Razoavelmente bom. Comecei com pequenos projectos, mas só serei realmente reconhecida quando eles fizerem dinheiro.
– E a vida de casada? Recomenda?
– Sim, desde que se encontre a cara-metade.
– E no seu caso?
– Só posso dizer que estamos felizes.
PERFIL
Sandra Annette Bullock nasceu a 26 de Julho de 1964 de pai americano e mãe (uma cantora de ópera) alemã. Foi chefe de claque no liceu e estreou-se no cinema em 1987 em ‘Hangmen’. Adora cavalos mas é alérgica, tem uma cicatriz na cabeça resultante de uma queda e fala fluentemente alemão.
Estudou ballet e serviu à mesa em Nova Iorque antes de ser actriz e o seu perfume favorito é ‘Dune’, de Christian Dior. Passou algum tempo numa clínica de desintoxicação antes de filmar ‘28 Dias’.
Tornou-se conhecida em 1994 após fazer ‘Speed’, ao lado de Keanu Reeves. Tem três casas: uma no Wyoming, outra no Texas e outra na Georgia. Casou-se em 2005 com o actor Jesse James.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)