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Correio da Manhã

Cultura

Albano Jerónimo sucumbe ao mundo ‘Big Brother’

Em cena até dia 27, ‘Omnisciência’ põe em cena uma sociedade dominada pelas câmaras de vigilância e obcecada com a segurança. No elenco do espectáculo, está também João Reis
20 de Julho de 2008 às 19:30
Albano Jerónimo sucumbe ao mundo ‘Big Brother’
Albano Jerónimo sucumbe ao mundo ‘Big Brother’ FOTO: D.R.

Todos sabemos que a obsessão com a segurança, desde o atentado de 11 de Setembro, deu azo a algumas histórias aberrantes. O caso do taxista torturado até à morte por suspeita de envolvimento em atentados ou o do jovem brasileiro morto a tiro pela polícia secreta britânica são duas das histórias conhecidas de uma realidade sinistra e relativamente obscura. Sobre esta temática, que mais actual não podia ser, Nuno Carinhas assina ‘Ominisciência’, um espectáculo que nos pinta o retrato de uma realidade aterradora, onde tudo – mas tudo – na vida humana é controlado por uma organização militar e onde as câmaras de vigilância são os companheiros de todas as ocasiões.

Para além do ‘suspense’, a peça, assinada pelo canadiano Tim Carlson e que evoca o mundo ‘Big Brother’ antecipado por George Orwell, tem uma construção enigmática: a narrativa é feita por cenas entrecortadas e é preciso que o espectador faça o trabalho de casa, ‘colando’ os vários pedaços e tirando as suas conclusões sobre aquilo que lhe é dado a ver. Nuno Carinhas, que também assina a cenografia e os figurinos, acentuou o lado aterrador do texto: o desenho de luz é sombrio, os figurinos escuros, o palco é dominado por grandes ecrãs por onde passam imagens de guerra (realização de Pedro Filipe Marques).

Num todo impecável, os actores desempenham com rigor as suas personagens. João Reis é o profissional frio e cem por cento controlado que procura possíveis terroristas; Cristina Carvalhal a mulher que acaba por, aos poucos, ir questionando o sistema; Albano Jerónimo o jornalista que, acusado injustamente de ser espião, acabará por vestir a pele do marginal e ser aniquilado. De todas as interpretações, porém, a de Inês Rosado talvez seja a mais surpreendente: a actriz nunca perde o controlo, embora a sua personagem esteja quase sempre descontrolada.

O espectáculo, que se impõe como uma experiência vivencial intensa, não é fácil de esquecer.

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