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Correio da Manhã

Cultura
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Aliança luso-galaica para salvar a Geira

Espanhóis e portugueses decidiram dar as mãos para recuperar um percurso romano que liga o coração do Minho à Galiza. Trata-se da Via Nova, construída há cerca de dois mil anos, para ligar Braga a Astorga. São mais de 300 quilómetros em calçada e carregados de História e marcas do domínio romano.
5 de Janeiro de 2008 às 00:00
“É uma via de grande valor histórico e cultural, não só para a região, mas para toda a Humanidade, que integra extensos troços de calçada romana em pedra, dezenas de marcos miliários e importantes vestígios das estruturas de apoio, como cavalariças, estruturas militares e pontes”, frisa António Afonso, presidente da Câmara de Terras de Bouro, concelho totalmente atravessado pela Geira e onde se encontram os vestígios em melhor preservação.
Os municípios espanhóis de Lobios, Bande e León querem agora seguir o exemplo português e aliaram-se a Braga e Terras de Bouro num projecto a que se associou também o concelho de Amares – para onde está já previsto um centro de interpretação relativo ao legado romano.
O objectivo é recorrer a fundos comunitários para recuperar e valorizar aquela que é uma das mais importantes calçadas romanas de toda a Europa e foi classificada como Património Nacional. A Via Nova, que integra o Itinerário Antonino elaborado no século III, beneficiou do facto de atravessar a serra do Gerês, entrando em Espanha pela fronteira da Portela do Homem, onde o antigo posto aduaneiro foi transformado num espaço temático sobre o antigo Império Romano. É também no Gerês que abundam os vários marcos miliários que identificam a Geira. Só no concelho de Terras de Bouro existem 250, havendo mais 80 nos restantes municípios do lado português da Via e também em Lobios.
“Juntos, poderemos conseguir um projecto mais ambicioso e valioso, reforçando a importância deste legado para a Humanidade”, explicou o alcaide de Lobios, José Lamela, lembrando que a Geira já foi alvo de uma candidatura a Património Mundial que viria a ser recusada pela UNESCO.
O novo projecto de recuperação visa reabilitar várias partes do traçado e também identificar algumas zonas de localização indefinida, por força do desvio de estradas mais recentes e até invasões de habitações.
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