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Correio da Manhã

Cultura
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Alicia Keys traz chaves da soul

Primeiro de negro, depois de branco. As cores da roupa da norte-americana Alicia Keys, que esteve esta quinta-feira à noite em Lisboa para um novo concerto, num Pavilhão Atlântico lotado, podem simbolizar as duas partes da sua segura actuação e também os conceitos de ‘prisão’ e ‘liberdade’, este último o elemento que dá nome ao seu último disco.
30 de Abril de 2010 às 00:30
Cantora norte-americana incitou os seus milhares de fãs portugueses a “gozar o dia de hoje”
Cantora norte-americana incitou os seus milhares de fãs portugueses a “gozar o dia de hoje” FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

As grandes estrelas da soul costumam ter como única arma a voz poderosa, mas Alicia Keys está um passo à frente, pela inspiração que consegue também expor nas teclas de um piano. A versatilidade ficou demonstrada em cheio num concerto simples, até porque os portugueses sabem do que ela é capaz – já esteve por cá em duas outras ocasiões – e os fãs apenas se querem concentrar nas canções, quase todas de mensagens elementares e sentidas, do que nos efeitos cénicos. 

Ainda assim, houve ecrãs gigantes com imagens e palavras antagónicas, que começaram por evidenciar o caos e a guerra, para depois passarem a transmitir conceitos fortes como “acreditar”, “mudança” ou “amor”. “Têm de ser o que são, encontrar a vossa liberdade”, disse Alicia Keys por várias vezes numa nova alusão ao seu último trabalho, ‘The Element of Freedom’. 

Numa cela apertada, a cantora de 29 anos surgiu pelas 21h15 no palco do Pavilhão Atlântico para depois ‘se libertar’ e começar o espectáculo, que ganhou músculo à custa dos seus maiores êxitos. ‘You Don’t Know My Name’ e ‘Fallin’’, interpretado num pequeno órgão, deixaram perceber desde logo o nervo de Alicia Keys, potente na voz e interessada em tornar o serão num encontro terno com os fãs. Logo de seguida as guitarras fizeram-se ouvir na interpretação voraz de ‘Another Way to Die’, tema que a artista interpretou com Jack White para a banda sonora do filme ‘Quantum of Solace’ de 007. 

Quando o público se começava a interrogar da distância face ao piano, Alicia Keys não desiludiu e conseguiu os dois melhores momentos da noite, ao tocar e cantar com total entrega os temas ‘Diary’ e ‘Like You’ll Never See Me Again’. 

As críticas que têm sido feitas ao seu último disco prendem-se com a ausência de melodias que fiquem realmente no ouvido, para mais tarde recordar, mas Alicia Keys contornou bem a questão, mostrando que tanto ‘Put It in a Love Song’ como ‘Try Sleeping with a Broken Heart’ e ‘Empire State of Mind’, que encerrou o espectáculo, são criações artísticas a ter em conta e que funcionam em palco.  

Pelo meio houve ‘Superwoman’, ‘Karma’, ‘If I Ain’t Got You’ ou ‘No One’, mostrando que há muita verve por aqui. Quem viu Alicia Keys esta quinta-feira percebeu que a sua carreira segue na direcção certa. Afinal, ela traz consigo as chaves da nova soul.

 

 

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