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Correio da Manhã

Cultura
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"Aprende-se por tentativa e erro"

Sean Riley é o nome artístico de Afonso Rodrigues. Com um novo álbum nas lojas, toca hoje com a banda The Slowriders às 22h00 no São Jorge.
31 de Maio de 2011 às 00:30
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Sean Riley and The Slowriders, música, concerto, cinema são jorge, it's been a long night, álbum, disco FOTO: Sérgio Lemos

Correio da Manhã - Como surgiram Sean Riley and The Slowriders?

Sean Riley - Nasce em vários momentos. Há um primeiro momento em que começo a escrever canções, que vai ser determinante para o que sucede a seguir. Depois há um segundo momento em que conheço o Bruno Simões na rádio da Universidade de Coimbra e que, de certa forma, é a primeira pessoa a dar o impulso para levar isto um pouco mais a sério e começa a trabalhar comigo nalgumas canções. Mais tarde conheci o Filipe Costa, que entrou também para a banda e, pouco tempo depois, houve uma pessoa ligada à Universidade que nos convidou para o nosso primeiro concerto, a primeira parte de um espectáculo. Aí se dá o nascimento da banda, em definitivo.

- E de onde nasce o nome?

- Numa primeira fase era apenas Sean Riley. Um nome que escolhi para representar o que fazia a nível musical. Escrevia em inglês e não fazia muito sentido para mim estar a assinar essas canções como Afonso Rodrigues. Surge então este pseudónimo, um nome que indentificava o projecto que começava a desenvolver. Mais tarde, quando começámos a tocar juntos, após o primeiro concerto, que penso que terá ainda sido anunciado apenas como Sean Riley, havia a questão de este ser um nome próprio, que ficaria sempre ligado a mim, como autor e cantor e indicaria pouco que se tratava de uma banda. Adicionámos então The Slowriders, um nome que já estava ali no nosso universo há algum tempo, também pelo tipo de música que estávamos a fazer, os arranjos... Fazia todo o sentido.

- Quais as expectativas para apresentação do disco, esta noite, no Cinema São Jorge?

Que seja uma boa noite, que corra tudo bem. Há algum nervosismo, pelo facto de ser a primeira vez que vamos tocar estas canções ao vivo. Mas a nossa única expectativa é que corra tudo bem da nossa parte e da parte do público.

- Serão tocados apenas temas novos ou vão percorrer músicas dos álbuns anteriores?

Vamos tocar cerca de 70 ou 80 por cento deste novo disco e vamos misturar com temas de trabalhos anteriores.

- Há alguma surpresa preparada para o espectáculo?

- Vai haver sim, mas ficam reservadas apenas para quem for ao concerto.

- Porque se intitula o álbum de ‘It’s Been a Long Night’?

- Grande parte da composição do disco está ligada à noite e, de certa forma, houve um processo quase contínuo entre fazermos o disco passado e irmos para os concertos, começarmos a trabalhar no novo álbum, começarmos a gravá-lo e estarmos de novo de volta aos concertos. Quando terminámos de gravar parecia que todo o percurso dos últimos dois anos tinha sido apenas uma única noite longa.

- Quais as diferenças entre este trabalho e os anteriores?

- Todos os discos são bastante diferentes. Este, em particular, difere do passado em alguns pontos, na escolha e entrega das canções, na interpretação, nos próprios arranjos, gravámos pela primeira vez com um quarteto de cordas e incluimos pela primeira vez metais no disco. Toda a produção e o cuidado com detalhes foi alvo de mais atenção neste disco.

- Vocês têm formação na área da música?

- Eu estudei guitarra durante três meses e o Filipe Costa teve durante uns meses aulas de piano. Penso que o Bruno nunca teve qualquer formação musical. O Filipe Rocha sim, acabou o Hot Club, a escola de jazz aqui em Lisboa, tendo estudado vários instrumentos. Ele é o único que tem formação musical. Todos os outros, somos autodidactas. Aprendemos com colegas, com os discos que ouvimos, a explorar, por tentativa e erro.

- E sem essa formação, como nasce este disco?

- Nasce de trabalho constante durante os últimos quatro ou cinco anos, num grupo de pessoas que também querem evoluir, e vamos todos um pouco atrás uns dos outros.

- Ainda assim, cada um de vós toca vários instrumentos. Trata-se de ideia para apresentar algo diferente?

- Não. Foi algo que nasceu meramente da necessidade.Gostamos de fazer coisas diferentes, explorar novos caminhos e, por vezes, víamo-nos um pouco limitados. Isto começou quando ainda éramos um trio, e havia limitações no formato guitarra, baixo e piano. Então começou por se adicionar a bateria, depois a harmónica... Depois quando o Filipe Rocha entrou para a banda, que toca quase todos os instrumentos por ter formação em baixo-eléctrico, bateria, guitarra... Portanto, acabou por ser o fruto de uma necessidade de irmos à procura de novos caminhos e de arranjar canções de diferentes formas.

- Os vossos temas são todos na língua inglesa. Já tentaram cantar em português?

- Nunca tentei no contexto de banda. Tive uma ou outra experiência, uma das quais integrada num projecto com outros músicos, e gravei uma coisa por brincadeira mas, desde o início que Sean Riley esteve ligado à escrita em inglês, pelo que não fazia sentido estar a misturar. No tipo de música que nós fazemos, fez sentido que fosse sempre em inglês, não foi uma escolha consciente, nem uma tomada de decisão ou uma tentativa de marcar uma posição num campo. Foi algo que aconteceu naturalmente e sobre a qual nunca pensámos muito.

- Vão também actuar no Festival Super Bock. Como será esse espectáculo?

- Vai ter uma parte do concerto com músicas novas, mas há outros dois discos para trás, que vão continuar a ser tocados. Obviamente que no festival o concerto com características diferentes destes agora em salas, por ser ao ar livre, com uma duração mais curta... Vai ser um concerto bastante diferente.

- Quais são as vossas principais influências?

- Nick Cave, Spiritualized, Bob Dylan...

- Notam alguma evolução desde o início do projecto?

- Crescemos musicalmente. Penso que é algo claro neste disco, apesar de ainda não ter ouvido este com muita objectividade, pois acabá-mo-lo há pouco tempo e a minha distância com as canções ainda não me permite ter uma opinião clara nesse aspecto. Mas acho que é algo notório nos três discos.

- Querem deixar alguma mensagem para os fãs que vão assistir aos concertos?

- Espero que se divirtam ao máximo, como nós também vamos tentar divertir-nos.

PERFIL

Afonso Rodrigues, conhecido como Sean Riley, nasceu nas Caldas da Rainha há 30 anos. Em 2007, lançou, em conjunto com a banda The Slowriders, ‘Farewell’, o álbum de estreia. ‘It’s Been a Long Night’ é o terceiro disco do grupo.

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