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Correio da Manhã

Cultura
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Arctic Monkeys entusiasmam no regresso ao SBSR

Banda inglesa arrastou milhares de pessoas ao SBSR, numa noite onde Azealia Banks e Johnny Marr também brilharam
19 de Julho de 2013 às 15:30
O pó e a areia continuam a ser as principais críticas apontadas ao festival, apesar de este ano as condições em frente ao palco principal serem bastante melhores
O pó e a areia continuam a ser as principais críticas apontadas ao festival, apesar de este ano as condições em frente ao palco principal serem bastante melhores FOTO: Bruno Colaço

Um final de tarde frio recebeu os milhares de festivaleiros que passaram pelo Herdade do Cabeço da Flauta no primeiro dia do festival. O pó e a areia continuam a ser as principais críticas apontadas ao festival, apesar de este ano as condições em frente ao palco principal serem bastante melhores do que em edições anteriores.

“Boa noite, senhoras e senhores” cumprimenta Alex Turner para as 15 mil pessoas que enchiam o palco principal para festejar o regresso dos Arctic Monkeys ao festival Super Bock Super Rock. “Hoje, a noite é de festa”, afirma convicto o vocalista do grupo inglês, travestido de mestre de cerimónias em pose ‘teddy boy’, convidando a multidão a gozar um concerto onde o rock n’ roll dominou.

A promover o novo ‘AM’, que será lançado em Setembro, os Arctic Monkeys não se limitaram a apoiar a sua performance no novo disco, do qual só tocaram ‘Do I Wanna Now?’, que abriu o espectáculo, e ‘R U Mine’ a fechar a noite, antes de tocarem, já em encore, ‘Mad Sounds’.

‘Estou a gostar de vocês’, elogia uma audiência muito jovem, sedenta pelos êxitos ‘Dancing Shoes’, ‘Teddy Picker’ e ‘I Bet You Look Good on the Dancefloor’. E se em ‘Cornerstone’, Alex Turner faz o papel de ‘crooner’ dos cantores dos anos 50, nada melhor do que passar logo a ‘Suck It and See’ para abanar os corpos. Ao fim de 1h45 de concerto, os Arctic Monkeys fecharam a atuação com ‘505’, numa primeira noite que a organização do SBSR afirma terem passado 25 mil pessoas pela Herdade do Monte da Flauta.

Johnny Marr recorda o passado

Antes, no mesmo palco, Johnny Marr entusiasmou os fãs mais velhos (ainda eram muitos) dos The Smiths e dos Electronic com um espetáculo que merecia bem mais do que uma hora de duração. ‘Olá Portugal, é bom estar aqui convosco’, afirma de semblante divertido, depois da sua única passagem em 1989 pelo nosso País, quando acompanhou os The The de Matt Johnson no Coliseu dos Recreios de Lisboa.

Com o novo ‘The Messenger’ na bagagem, o antigo colega de Morrissey entusiasmou com ‘The Right Thing Right’, ‘Upstarts’, ‘Generate! Generate!’ e ‘Word Starts Attack’. ‘Esta vocês são capazes de conhecer’, sorri antes de soarem os primeiros acordes de ‘Bigmouth Strikes Again’.

Foi uma verdadeira viagem a um passado de glória, representado em ‘Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before’, e, já em encore, ‘How Soon Is Now’ e ‘There Is a Light That Never Goes Out’, todas dos The Smiths, ‘Getting Away with It’ do seu Electronic e ‘I Fought the Law’, na versão dos The Clash.

‘Vamos fazer muito barulho’, berra Azealia Banks para as dez mil pessoas que saltavam no palco principal face à performance demolidora da rapper nova-iorquina. Apelativa quanto baste, mostrou saber como entusiasmar os muitos admiradores da rapper do Harlem, com ‘ATM Jam’. ‘1991’, ‘212’ e ‘Young Rapunxel’. Concerto de elevada adrenalina, que não deixou ninguém quieto por um minuto, com a cantora a espalhar erotismo quanto baste.

As portuguesas Anarchicks, que abriram o palco principal, no primeiro dia do festival, mostraram como pôr 4000 pessoas aos saltos para um concerto de puro rock. A promoverem ‘Really’, lançado no início deste ano, o quarteto feminino mostrou como o ‘noise rock’ pode ser intenso sem perder a melodia.

Palco secundário em baixa rotação

O segundo cenário do SBSR teve bem menos público do que merecia, face aos nomes em cartaz. Palco estreado no primeiro dia por Kalú apoiado em ‘Comunicação’, o baterista dos Xutos & Pontapés cantou o seu primeiro trabalho a solo para cerca de 500 pessoas algo apáticas. ‘Pela noite Dentro’, ‘Demagogia’ e o tema-título do novo álbum sobressaíram num espectáculo positivo, onde ainda houve tempo para cantar ‘Tu Aí’, da sua banda de sempre.

Também Owen Pallett, mentor de Final Fantasy, não conseguiu reunir muitas mais pessoas para uma atuação demasiado calma. Apenas os Efterklang conseguiram arrastar um público conhecedor dos trabalhos do grupo dinamarquês, com um concerto onde sobressaiu a voz delicada de Casper Clausen. Os ingleses Toy, que entraram com algum atraso, assistiram à debandada dos poucos que os esperaram para irem assistir aos Arctic Monkeys, sem dúvida o principal ponto de interesse do SBSR.

No terceiro palco, os portugueses Trêsporcento e o luso-iraniano Mazgani tiveram cerca de 200 pessoas num ambiente quase familiar, a prepará-las para os cabeças de cartaz da noite, num primeiro dia por onde terão passado 25 mil pessoas segundo a organização.

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