O arquitecto brasileiro Óscar Niemeyer, falecido nesta quarta-feira na mesma cidade do Rio de Janeiro em que nasceu há 104 anos, fica para a História como o homem a quem o então presidente Juscelino Kubitschek entregou a missão de imaginar Brasília, a cidade criada de propósito para ser a nova capital do Brasil. Isto apesar de o grande nome da arquitectura moderna ter deixado obra em todo o Mundo, incluindo Portugal, onde assinou o projecto da Casino da Madeira, no Funchal.
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Tudo começou quando o recém-eleito Kubitschek visitou Niemeyer em Setembro de 1956, anunciando-lhe o plano de criar uma cidade distante do Rio de Janeiro e de São Paulo, na imensidão do estado de Goiás.
Para esse símbolo do 'Brasil Novo' contava com a ajuda do arquitecto que conhecera 16 anos antes, quando era o prefeito de Belo Horizonte e lhe encomendou a criação de um novo subúrbio da capital do estado de Minas Gerais.
Daí resultou o Complexo Arquitectónico da Pampulha, que valeu reconhecimento internacional a Niemeyer, contribuindo para o convite para participar no projecto da sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque (EUA).
Quando ouviu o desafio lançado pelo presidente brasileiro, Niemeyer organizou o concurso para a concepção de Brasília. A tarefa de planear a cidade coube ao seu velho mestre Lúcio Costa, mas o jovem arquitecto aceitou a missão de desenhar os edifícios mais emblemáticos.
Ao longo dos meses seguintes, Niemeyer criou o Palácio do Planalto (sede do governo presidencialista), o Palácio da Alvorada (residência oficial do presidente do Brasil), o Congresso Nacional e a Catedral de Brasília, bem como vários outros edifícios públicos e residenciais.
Quatro anos bastaram para a criação da nova capital do Brasil - num desafio só comparável ao que Hitler lançara ao ministro Albert Speer, também arquitecto, que consistiria na reconstrução total de Berlim, embora a ideologia dos responsáveis por Brasília fosse muito diferente: Kubitschek era um socialista e Niemeyer não escondia simpatias comunistas, recompensadas com o Prémio Lenine, atribuído pela União Soviética em 1963.
No ano seguinte começou a ditadura militar que se prolongaria até 1985 e o estalinismo de Niemeyer deu origem a sucessivas perseguições que o levaram a exilar-se em França. À beira dos 60 anos abriu um atelier em Paris, criando obras tão diversas quanto a sede do Partido Comunista Francês, o Casino da Madeira e a sede da editora italiana Mondadori.
A abertura política no Brasil levou-o a regressar ao país em 1980, voltando a estar perto das suas obras - não só em Brasília, mas também em São Paulo, onde desenhou o enorme parque urbano de Ibirapuera e inventou a fachada ondulada do edificio de apartamentos Copan, ainda hoje um dos símbolos da maior cidade da América do Sul.
Galardoado com o Prémio Pritzker, o mais importante da arquitectura, em 1988, conseguiu a fazer edifícios emblemáticos, sem nunca descurar a militância. Assumiu a liderança do Partido Comunista Brasileiro entre 1992 e 1996, assegurando a sobrevivência da força política numa conjuntura marcada pela implosão da União Soviética e por dissidências internas.
O arquitecto que devia o nome Niemeyer a um avô alemão, formado pela Escola Nacional de Belas Artes em 1934, estava internado há semanas no Hospital Samaritano do Rio de Janeiro e, após sofrer vários problemas de saúde, só respirava com a ajuda de aparelhos. Caso tivesse sobrevivido até dia 15 celebraria 105 anos.
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